sábado, 5 de junho de 2010

Reflexões sobre o livro e o escritor

pela Bibliotecária Inajá Martins de Almeida


Bem aventurado aquele que escreve; arrisca o verso e a prosa e, torna-se um escritor.

Bem aventurado aquele que mescla o leitor com o escritor.

Dê-me uma meada de lã e eu teço um agasalho.
Dê-me uma palavra e eu formulo uma frase.
Dê-me uma frase e eu escrevo um texto.
Dê-me um texto e eu componho um livro”.


Desde cedo me acostumei aos livros, as linhas e as lãs. Nos livros aprendi a ler, nas linhas escrever e, com lã, tecer. Agora, já não sei viver sem os livros, sem as linhas, tão pouco sem as lãs.

Leitor. Arrisque o verbo nas asas da escrita. Invente... tente... crie seus próprios textos, sem almejar o estrelato ou a fama do escritor. Esta será apenas a consequência.

Livros nos fazem livres; dá-nos fluência verbal; tornam-nos partícipes da sociedade.

Na jornada da leitura, percebo a riqueza de informação a ser compartilhada, então, incansável, leio, releio, faço anotações, escrevo, dissemino, compartilho, porque “não há limites para fazer livros”, como nos exorta Eclesiastes 12:12.

Nas entrelinhas percebo uma frase e logo penso num texto.

No garimpo da leitura, encanta-me selecionar falas.

No mundo encantado da escrita, as palavras vão me encontrando e me escrevendo. E leio... E releio... E escrevo... E apago... E volto a escrever, porque escrevendo, vou me conhecendo.

Quando pensamos nos livros como fonte de informação, logo nos vêm à mente os recursos que devemos utilizar para a satisfatória transmissão do conhecimento. Assim, registros, organização, armazenagem, preservação, devem ser pontos perceptíveis para a transmissão de conhecimento para as gerações vindouras, e o Bibliotecário se torna a ponte entre a informação e o usuário.

Torno-me permissiva ao autor, quando me vejo a invadir sua composição, apossando-me de citações, as quais vêem se enquadrar a cada momento de transpiração, quando a ler e a escrever estou.

Um livro pode resgatar um sonho adormecido.

Uma leitura bem feita enriquece tanto aquele que escreve, quanto ao que lê. Também de nada adianta um bom leitor, sem que haja um bom escritor, um bom diálogo, que leve o leitor aos ambientes criados pelo autor, aquele que está sendo lido.

Vejo a poesia na lã, na linha, percebo o verso. Confecciono poesia, com a lã, na linha escrevo verso.


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fotos Elvio Antunes de Arruda - Ribeirão Preto - janeiro 2008 


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Reflexões sobre a biblioteca e o bibliotecário

pela Bibliotecária Inajá Martins de Almeida


A biblioteca sendo um organismo em constante movimento e desenvolvimento, o Bibliotecário deverá ter bem definido seu papel como educador, mais do que disseminador da informação.

Ao Bibliotecário compete ser elemento partícipe de processos de transformação, uma vez que com ele detém o conhecimento e este é moeda corrente.

Ao Bibliotecário não compete aceitar simplesmente ser um disseminador de informação, com profundos conhecimentos técnicos, mas, sobretudo, valer-se de novos métodos e instrumentos, para levar essa mesma informação ao usuário.

O Bibliotecário, além de facilitador da informação, deverá ter plena consciência do seu papel social e de educador, fornecendo aos leitores informações adequadas às suas necessidades, respeitando suas individualidades.

Quando pensamos na possibilidade de que cada leitor tenha seu livro, vislumbramos o livre acesso ao conhecimento. Neste ponto o papel do Bibliotecário se torna fundamental, posto que ele passa a ser o mediador entre o leitor e a informação – entra aqui o Bibliotecário, não mais como simples técnico, mas também como educador.

Reflexões sobre a leitura

pela Bibliotecária Inajá Martins de Almeida
A era da informação, exige que avancemos incessantemente e o mundo globalizado, pede pessoas cada vez mais preparadas para o mercado competitivo e essa preparação, somente é possível através da leitura.

A leitura leva o leitor para longe da ignorância verbal; abre-lhe a mente para o raciocínio lógico e crítico.

A leitura nos faz ganhar tempo, quando podemos reunir tantas lembranças e conhecimento, num espaço de tempo que se conta em centenas ou até milhares de anos. Aproxima-nos de povos numa fração de segundos, sem ao menos tirar os olhos do papel.

A leitura passa a exercer papel preponderante na formação do cidadão, quando este se conscientiza, aprende a gostar e entender a extensão que a mesma influencia sua vida, a partir do que passa vislumbrar a possibilidade de criar, inventar, contar uma história, ser a própria história.

À medida que adentramos o universo da leitura, descortinando autores e temas, os mais variados, percebemos que vamos nos familiarizando cada vez mais com a palavra e ganhamos o mundo.

A palavra... Somente a palavra tem o poder de transformar, de colorir, de pintar nossas emoções, nossas expressões nas linhas que nossa existência conta.

Antes mesmo de tornar a leitura um prazer, temos de entendê-la como obrigação, assim como tantas outras obrigações que permeiam nosso cotidiano, porém, uma obrigação que nos trará recompensas, porque somente ela – a leitura – poderá nos tirar da escravidão da ignorância verbal e oral.

Aquele que não lê e, mesmo que o faça, não consegue interpretar o que lê, encontra-se a margem da sociedade em constante mudança.

Ao lermos um livro, pensamos e criamos nossa própria realidade, uma vez que cada leitor se torna um co-autor, à medida que sua compreensão alcance seu olhar e o universo que o cerca.

Bem aventurado aquele que lê e se torna um pensador

Cada leitor pode se torna um co-autor, interpretando, recontando a leitura, sob seu ponto de vista, fazendo com que os livros tenham seu próprio destino. Não há, portanto, história que não possa ser contada de diferentes formas, sob a ótica e o ponto de vista do seu interlocutor.

Contudo, se lemos gibis, poesias, jornais, textos científicos, textos literários, textos, livros, enfim, não importa o que lemos, se lemos por algum motivo ou razão.

Definições, conceitos, significações, frases, textos, livros, são atributos os quais nos valemos, quando nos predispomos a fazer uma leitura mais acurada, de algo que queremos conhecer melhor, seja apenas por curiosidade, necessidade profissional, para cumprir uma exigência escolar, ou qualquer outra.

Leitura não significa simplesmente o que os textos nos apresentam, mas qualquer percepção que tivermos no nosso cotidiano, porque, leitura também é decifrar imagens.

Lemos para nos comunicar; para resolver uma questão proposta por nós ou por alguém; para nos aperfeiçoar; para nos informar; para adquirir mais conhecimento; para saciar nossa sede do saber; para recreação, quem sabe: cada um sabe para que lê.

Lemos para nos tornar melhores, fluentes no falar, partícipes da sociedade em constante mutação. Lemos por dever, por obrigação, por prazer, por distração.

Lemos porque a necessidade por encontrar pessoas, conhecer lugares, desvendar caracteres, letreiros, números, conhecer a nós mesmos, faz com que paremos a olhar, a questionar, a buscar decifrar o desconhecido e, antes mesmo de lermos a palavra, já lemos o universo que nos permeia.

Ler é romper barreiras, quebrar limites, ultrapassar fronteiras, olhar além do que os nossos olhos possam enxergar. É sair do lugar comum, aventurar-se por caminhos vários. É olhar através das imagens e captar significados além do que a própria vista possa imaginar.

Ler é tomar posse do livro.

Liberdade nada mais é do que a capacidade em pensar o que se quer – e muitas vezes, até o que não se deseja – porém, falar e escrever exige um leque de reflexão, ao interlocutor e autor e, nem sempre, é julgado tão útil na extensão, o quanto se possa imaginar, uma vez que “a cada leitor o seu livro” e “a cada livro o seu leitor”, segundo duas das “Cinco Leis da Biblioteconomia” de Ranganathan, bibliotecário hindu, no início da década de 1920.

Não consigo ver um cidadão completo, que não saiba ler e interpretar as situações que o rodeiam, porque "quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê", já nos alertava Monteiro Lobato.

Nas palavras há, portanto, força e, alerta-nos o pensador Confúcio “sem conhecer a força das palavras é impossível conhecer os homens”, porque "quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma", como complementa o poeta português Fernando Pessoa.

O direito que temos pela leitura é que nos faz desenvolver nossa capacidade intelectual e espiritual de aprender e progredir.

O leitor acostumado a muitas leituras, sabe separar o joio do trigo; sabe perceber a teia da aranha e não se lançar dentro dela.

O prazer da leitura é individual – cada qual, a seu modo, pode senti-lo.

Para se entender como alguém lê, necessita-se saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo: como vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta. Isto faz da compreensão sempre uma interpretação.

Para se formar uma massa crítica, é necessário que o hábito da leitura se forme desde tenra infância; que os alfabetizadores transmitam o prazer de ter um livro em nossas mãos, manuseá-lo, sentir o cheiro do papel, extasiar-se com as cores das gravuras, deleitar-se com as letras que formam uma a uma o conteúdo, e nos remete ao imaginário.

Pesquisas mostram que a pessoa que não lê, e quando lê não consegue fazer uma análise do que leu, tem dificuldade de se relacionar, de se expressar no convívio social e profissional; torna-se pobre de vocabulário.

Somente leitor contumaz, audaz, perspicaz, que acostumado fora às linhas do texto e às entrelinhas do contexto, poderá ler e compreender, as artimanhas que se escondem por trás das linhas, através das entrelinhas.

Temos de criar fome pela leitura; fazer amizade com o conhecimento; desejar, ardentemente, buscar valores que complementem a necessidade dentro do metabolismo – como a carência alimentar – fazendo com que o sangue venha a estar impregnado.

Temos urgência em nos tornar uma nação leitora, não somente ler pelo simples fato de ler, mas saber interpretar o que estamos lendo, nas diversas formas da escrita em nosso cotidiano, quer impressa ou eletrônica.

Torna-se imprescindível criar o hábito da leitura, uma vez que esta, hoje, pode ser vista como artigo de primeira necessidade, todavia, é mister que cada indivíduo desperte dentro de si o interesse em auto instruir-se, para descobrir a força da palavra.

Uma leitura bem feita enriquece tanto aquele que escreve, quanto ao que lê. Também de nada adianta um bom leitor, sem que haja um bom escritor, um bom diálogo, que leve o leitor aos ambientes criados pelo autor, aquele que está sendo lido.

Livro que te quero!


A paixão por livros me levou à leitura
A leitura me levou às linhas e entrelinhas do texto.
Pude me apossar do contexto
e criar meu próprio texto.

Agora não há como negar:
O livro que me levou a tantas leituras
Abriu-me tantos horizontes
 Enreda-me pelo mágico caminho das linhas.

E como é saboroso
Sentir o aroma suave do papel
O deslizar da pena
O deleite de ser leitor e também autor. 



Inajá Martins de Almeida


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foto : Elvio Antunes de Arruda



segunda-feira, 17 de maio de 2010

Carminda Nogueira: uma grande propagadora da profissão


Carminda Nogueira de Castro Ferreira nasceu em Portugal e radicou-se no Brasil em 1948. Teve onze filhos. Nove deles formaram-se em Biblioteconomia, a exemplo da mãe. Formou-se na primeira turma da Faculdade de Biblioteconomia, em São Carlos, na década de 1960, quando a profissão, então de nível médio, passou a ser de nível superior.

É doutora em Letras Românicas pela Universidade de Coimbra; mestre em Biblioteconomia (com a tese então revolucionária denominada O método Keller no Ensino da História do Livro – Um Curso Programado Individualizado); pós-graduada em Ciência da Informação e Administração de Empresas, com especialização em Organização e Métodos (O&M). Dedicou-se à organização de arquivos empresariais e públicos; implantou importantes centros de documentação (como os da Associação Brasileira de Cimento Portland, da TAM, do Itaú etc); e, também, foi professora. Atualmente, presta serviços em dois grandes escritórios de advocacia, como consultora em língua portuguesa, e em empresa de treinamento à distância.

Atenta à evolução das tecnologias da informação e da própria Biblioteconomia, defende a cooperação entre as duas áreas. Acredita ser indispensável que os funcionários dos arquivos tenham formação acadêmica nas áreas de Biblioteconomia ou de Arquivologia, e que os analistas de sistemas e os programadores não realizam grandes projetos de informação sem a assistência desses profissionais. 

A vinda para o Brasil
Meu sogro, pioneiro da indústria são-carlense, fundou, no começo do século passado, uma grande serraria para instalar a linha férrea da Companhia Paulista de Estrada de Ferro, na Alta Araraquarense (hoje formada pelos municípios de Araraquara, Votuporanga, Jales, Fernandópolis, na zona oeste do Estado de São Paulo). Após anos de trabalho intenso, entregou a gerência da empresa a um colaborador de sua confiança e foi para Portugal. Em Coimbra, instalou-se com a família em um palacete na estrada da Beira, hoje avenida Brasil. Por motivos familiares meu marido foi designado pelos pais e irmãos para assumir a direção da empresa. Casada havia seis anos, já com três filhos e grávida do quarto, tive que acompanhá-lo. Cheguei a São Carlos, em São Paulo, no dia 20 de outubro de 1948 e, no dia 23 de novembro (quase um mês depois), nasceu o meu quarto filho.

O começo da vida em São Carlos
A minha formação na Universidade de Coimbra dava-me direito apenas a lecionar no 3º grau. Recebi até um convite do Prof. Antônio Soares Amora para dar aulas na recém-fundada faculdade de Franca. Para lecionar nos níveis de ensino que existiam em São Carlos (antigos 1º e 2º graus), teria que fazer a equiparação do meu diploma em São Paulo. Com filhos pequenos, não podia ausentar-me da cidade e aproveitei, por sugestão do delegado regional de ensino, José Geraldo Keppe, para freqüentar os cursos de férias, proporcionados pelo Ministério da Educação na Campanha de Aperfeiçoamento do Ensino Secundário (CADES), que se realizavam na Seccional de São Carlos nos meses de janeiro e fevereiro. Obtive, assim, o registro no MEC para lecionar Português, Francês, Latim e até Grego. Passei a dar aulas no tradicional colégio feminino de São Carlos (Irmãs Sacramentinas) e me envolvi totalmente nas campanhas educativas daquela cidade, desde a fundação da Escola de Engenharia da USP até a fundação da Universidade Federal.

A descoberta da Biblioteconomia
A Biblioteconomia era, até 1960, considerada de nível médio, e três bibliotecários da Escola de Engenharia, para atender a falta de pessoal especializado, resolveram fundar uma escola profissional. A grande líder Laura Russo trabalhava incansavelmente junto ao deputado Rogê Ferreira para dar ao curso de Biblioteconomia o “status” de 3º grau. E conseguiu (Lei 4084/62).
Então, para consolar meu filho mais velho que, tendo terminado o “científico”, não conseguiu entrar na Escola de Engenharia, propus-me a fazer com ele a nova faculdade de Biblioteconomia, que funcionava na Escola de Engenharia. Já mãe de dez filhos, usei o pretexto de acompanhar o meu filho mais velho na nova faculdade, para que meu  marido consentisse nessa “loucura”. E, assim, acabei por me formar quatro anos depois na nova profissão de nível superior que, pelo conteúdo programático, me deslumbrou. Quase no final do curso, nasceu minha filha Cristina que herdou, desde o ventre materno, o amor à Biblioteconomia. Após a formatura, permaneci na Escola como professora e presidente da Fundação  Mantenedora.

A importância das entidades de classe
Às entidades de classe tenho dado uma grande parte da minha vida. Atuei em entidades como o CRB 8ª Região, a Associação Paulista de Bibliotecários (APB), a Associação de Bibliotecários São-Carlenses, a Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários (FEBAB), o grupo 21 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) etc. Creio que o fato de a profissão não ter, por parte da sociedade, o merecido reconhecimento, deve-se principalmente à falta de participação dos bibliotecários em entidades de classe.

Entrevista concedida a Ana Célia Moura Bibliotecária e jornalista

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Boletim Informativo CRB 8ª Região Conselho Regional de Biblioteconomia - 8ª Região - Estado de São Paulo Ano 14 - N° 1 - 2007

quarta-feira, 24 de março de 2010

Fundo Florestan Fernandes on line


Na última sexta-feira (12), a Biblioteca Comunitária (BCo) da UFSCar lançou o conteúdo digital do Fundo Florestan Fernandes, que pertence à unidade, em comemoração aos 40 anos da universidade e ao Dia do Bibliotecário.

O prefeito Oswaldo Barba participou do evento junto com o reitor da universidade, Targino de Araújo Filho, a secretária municipal de Educação, Lourdes Moraes, a diretora da BCo, Ligia Silva e Souza, o professor Francisco Teixeira, a bibliotecária Vera Lúcia Coscia, o ex-prefeito e ex-reitor da UFSCar, Newton Lima.

O Fundo Florestan Fernandes possui cerca de 30 mil páginas de documentos pessoais e profissionais do sociólogo. São fotos, entrevistas transcritas, correspondências, cadernos de pesquisa, trabalhos de alunos, fichas manuscritas, além de vários outros documentos doados pela família de Florestan.

“Quem quiser falar ou escrever sobre o Florestan Fernandes precisa vir a São Carlos, que abriga todo o acervo sobre ele, um dos melhores sociólogos do país”, disse o prefeito Barba.

Todos esses documentos estão disponíveis para acesso online, através da página eletrônica da biblioteca da UFSCar. No ano passado, o Fundo foi reconhecido pelo programa Memória do Mundo da Unesco e considerado um patrimônio documental da Humanidade.

Foi lançado ainda o livro “Florestan Fernandes: leituras e legados”, publicada pela editora Global, dividido em duas partes: a 1ª traz um texto que Florestan Fernandes escreveu aos 26 anos para a tradução da obra “A contribuição à crítica da Economia Política”, de Karl Marx. Há ensaios que tratam do folclore, da guerra, da cultura popular, da economia indígena, dentre outros temas. A 2ª parte traz textos em que Florestan analisa a Sociologia no Brasil, a educação, o socialismo e a classe trabalhadora.

Tanto a universidade quanto a Prefeitura fizeram também uma homenagem à bibliotecária Carminda Nogueira de Castro Ferreira, em comemoração ao dia dos profissionais dessa área.


O dia do Bibliotecário - Manuel Bastos Tigre

O Dia do Bibliotecário é comemorado no Brasil desde 1958, em homenagem a Manuel Bastos Tigre, que nasceu nesse dia, em 1882. Engenheiro, jornalista, poeta e teatrólogo, em 1915, aos 33 anos de idade, Bastos Tigre deixou de exercer engenharia e passou a devotar a sua vida em completo aos livros e à Biblioteconomia. Trabalhou no Museu Nacional, na Biblioteca da Associação Brasileira de Imprensa, na Biblioteca Nacional (1945-47) e em seguida por mais de 20 anos na Biblioteca Central da Universidade do Brasil, da qual foi diretor. Faleceu em 2 de Agosto de 1957, aos 75 anos.Bastos Tigre exerceu a profissão de Bibliotecário durante cerca de 40 anos, sendo considerado o primeiro Bibliotecário por concurso, no Brasil.

Dia do Bibliotecário - homenagem


DIA DO BIBLIOTECÁRIO - 12 de março de 2010 - Câmara Municipal de São Carlos



A Câmara Municipal realizou na última sexta-feira (12) a primeira sessão comemorativa ao “Dia do Bibliotecário” em cumprimento à lei municipal No. 14.194, quando foram prestadas homenagens às bibliotecárias Carminda Nogueira de Castro Ferreira (uma das fundadoras da Escola de Biblioteconomia e Documentação de São Carlos) e Maria Carlota Larosa (que trabalha no serviço público municipal há 34 anos). O orador oficial da sessão foi o presidente da Câmara, vereador Lineu Navarro (PT) que destacou a importância da comemoração da data para reflexão voltada à valorização dos bibliotecários. A secretária municipal de Educação, Maria de Lourdes Morais, compareceu à solenidade representando o prefeito Oswaldo Barba (PT), que teve também as presenças da diretora do SIBI (Sistema Integrado de Bibliotecas de São Carlos), Claudete Cury Sacomano, e do ex-vereador Marquinho Amaral, representando o deputado Lobbe Neto (PSDB-SP).Durante a sessão foi lida mensagem a propósito da comemoração da data, enviada pela presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia (CRB 8), Evanda Veri Paulino.


Fonte: http://www.camarasaocarlos.sp.gov.br/portal/index.php/camara-informa/880-carminda-de-castro-ferreira-e-maria-carlota-larosa-foram-homenageadas.html

segunda-feira, 22 de março de 2010

Dª Carminda - doce lembrança


"Meu método de ensino é ensinar o aluno a pesquisar o que não sabe"
(Carminda Nogueira de Castro Ferreira)



Dª Carminda Nogueira de Castro Ferreira e Inajá Martins de Almeida 
 São Carlos 12 de março de 2010

A homenageada Dª Carminda, recebe o carinho dos ex-alunos mas, com certeza, a mais beneficiada com tal comenda fui eu, por ter tido o privilégio de conhecê-la e receber profundos conhecimentos teóricos e práticos através de brilhantes aulas por ela ministradas na então Escola de Biblioteconomia e Documentação de São Carlos. Professora que marcou profundamente minha vida pessoal e profissional, agora, depois de quatro décadas exatamente (1970 - 2010), poder reencontrá-la em seu pleno vigor físico, mental e espiritual é, para mim, razão de profunda graça.

Realmente, seu método revolucionário de ensino me levaria a jamais deixar de ser uma pesquisadora.

Foram apenas três anos, mas que fizeram, fazem e continuarão fazendo marcante diferença em minha vida. Bibliotecária por formação, por paixão, por convicção; cientista da informação, não pelo termo imposto pela modernidade, mas pela certeza de que, ao buscar aquilo que não sei, posso me aproximar mais da realidade de que nada sei e, a partir do que, jamais me distanciar do conhecimento, único e certo legado para a humanidade, sua orientação para que, de suas tantas matérias, recolhêssemos retalhos, que nos proporcionassem tecer colchas, acompanharam meus passos, durante toda minha jornada. Aos poucos, então, colchas tecia, com retalhos de lã, lembranças das linhas - artesã: das agulhas na lã, das palavras na linha. O tempo, realmente pediu conta de meu tempo e ao olhar para trás, aquelas doces lembranças de um passado marcante; aquela jovem ávida por galgar uma carreira, ainda sem futuro, ainda sem história; aquela professora que faria toda a diferença vida afora, decorridos os anos, os quais se contam em quarenta, os sorrisos escancarados, estampados no rosto - sorriso da alma - pode recolher um retalho, numa alegria que não se conta.

12 de março de 2010 – Dia do Bibliotecário

Inesquecível Dª Carminda, torna presente o maior dos presentes: o legado do conhecimento. Seu sorriso franco, limpo, aberto, claro, sem maquiagem, expressa a tranquilidade da missão cumprida.

Aquela jovem sonhadora, Inajá, que tecia retalhos futuros, ao ouvir da mestra querida que: - "o bibliotecário não tem futuro; ele é o futuro", pode amealhar mais um retalho para sua colcha, ao fazer da sua vida entre livros a sua realização pessoal.
Com certeza, Deus é tudo de bom, ao me cercar de gratas pessoas:
Minha mãe que me legou o prazer das lãs; formou-me o caráter.
Meu pai que me levou ao gosto pelos livros e pelas linhas; desenvolveu-me o senso crítico da pesquisa.
Meu irmão que me ensinou a humildade do perdão.
Meu filho que me proporcionou avançar na era tecnológica e, acima de tudo, me realizar quanto mãe.
Minha nora extensão maior da continuidade de gerações.
Minha neta legado de Deus para minha "velhice".
Cunhada, Sobrinhos, sobrinhos netos, tios, primos, professores, colegas, amigos.
Meu companheiro, aquele que acompanha meus passos no presente.
Dª Carminha - inesquecível.
Professora que soube transmitir e encravar em minhas entranhas a paixão pela Biblioteconomia.
Sem sombra de dúvidas, os retalhos continuam sendo recolhidos; a colcha tecida... Quantas!
Querida, doce e meiga dona Carminda. Grata pela lembrança da sua presença em minha vida. Pela transmissão do seu conhecimento. Pela sua sabedoria em desvendar meu potencial in potencial. Pelo seu abraço terno neste dia. Pelo seu sorriso grato. Pela permissão de uma foto ao seu lado. Grata pelo seu exemplo de vida. Grata pelos seus retalhos... Eternamente grata. 

Inajá Martins de Almeida - Bibliotecária


(Foto Elvio Antunes de Arruda)

12 de março Dia do Bibliotecário


"O bibliotecário não tem futuro, ele é o futuro"

Palavras da Bibliotecária, professora, doutora Carminda Nogueira de Castro Ferreira, durante homenagens e comemorações ao Dia do Bibliotecário - 12 de março 2010 - Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR)



Bibliotecárias - a partir da esquerda: Miriam Zambel, Vera Martucci, Lourdes de Souza Moraes (Bibliotecária e Secretária da Educação da cidade de São Carlos), Dª Carminda Nogueira de Castro Ferreira e Inajá Martins de Almeida


Câmara Municipal de São Carlos - homenagem ao Dia dos Bibliotecários - 12 de março 2010

(Fotos Elvio Antunes de Arruda)

Dª Carminda - merecida homenagem


"Imagine se eu pudesse desmembrar todas as lembranças que tenho!"
(Carminda Nogueira de Castro Ferreira)



Dª Carminda Nogueira de Castro Ferreira, quando da homenagem a ela conferida pela UFSCAR no dia 12 de março de 2010 - Dia do Bibliotecário.

(foto Elvio Antunes de Arruda)

Dia do Bibliotecário - homenagens


Bibliotecárias: Miriam Zambel, Vera Martucci, Lourdes de Souza Moraes, Dª Carminda Nogueira de Castro Ferreira e Inajá Martins de Almeida






Osvaldo Batista Duarte Filho (prefeito municipal da cidade de São Carlos) Dª Carminda Noguera de Castro Ferreira e Inajá Martins de Almeida

















Lourdes de Souza Moraes - Bibliotecária e Secretária da Educação de São Carlos; Bibliotecária Drª Carminda Nogueira de Castro Ferreira; Bibliotecária Inajá Martins de Almeida

















(fotos Elvio Antunes de Arruda)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O que teria mudado?

(texto de Inajá Martins de Almeida)

Segundo dados da Câmara Brasileira do Livro(*), no Brasil são produzidos mais de 320 milhões de livros por ano, o que corresponde a 1,4 livros por pessoa – muito pouco comparado a outros países; apenas um terço da população aprecia, ou tem o hábito da leitura; entretanto, em tempo algum se falou tanto em livros, leitura e bibliotecas, como em nossa época – eu mesma tive a oportunidade de implantar mais de sessenta bibliotecas durante o período de 2000 à 2004 na cidade de Ribeirão Preto, no magistral Programa Ribeirão das Letras, quando então Coordenadora de Bibliotecas.
Em tempo algum na história, jamais se viu tantas pessoas se irmanaram de forma tão ávida para minimizar dificuldades de expressão, de comunicação produzida pela falta de leitura crítica – aquela leitura que dá ao indivíduo condições de poder interferir na sociedade, como gerador de opinião, de partícipe em mudanças sociais, profissionais, políticas, familiares – como em nossos dias.
Há todo momento vemos em diversos veículos de comunicação – revistas, jornais, internet – enquete ser lançada, buscando explicações para o fato de que se lê pouco, mesmo assim os números continuam alarmantes – “pouco se lê no Brasil”.
Nascida numa família de leitores, onde os recursos financeiros eram limitados, não nos preocupávamos com os preços dos livros, como nos dias atuais, pois meus pais abstinham-se de algo, para comprar livros e formar nossa biblioteca, que na década de 1960 já possuía um acervo aproximado de 1.500 títulos.
Os amigos e parentes que freqüentavam nossa casa se deslumbravam com aquela pequena biblioteca particular; assim digo com orgulho que nasci entre livros e leitores. Minha avó no interior paulista aprendera a ler praticamente sozinha e lia vorazmente livros e revistas, ao que lhe proporcionava falar com desenvoltura e fluência, além de apreciar a boa música que soava do acordeão de sua filha. A biblioteca da cidade [Araras/SP] com seus mais de 30.000 livros fornecia títulos aos seus leitores, que a buscavam com sagacidade; era um passeio obrigatório para os que vinham de outras localidades passar férias, assim como a leitura de bons romances.
Hoje, contudo, vemos as bibliotecas públicas com pouca freqüência, mas, as lan houses abarrotadas de jovens; os jogos eletrônicos serem procurados em larga escala; fala-se em pouco tempo para leitura, e no alto custo dos livros, mas os aparelhos eletrônicos marcam recordes em vendagem. Em cada lar pode-se encontrar mais de um televisor, dvd, aparelhos de som – que infeliz contradição; não se questiona preço dos eletrônicos, pagos em prestações a perderem-se de vista, entretanto questiona-se o preço do livro (o que faz o marketing!). Horas infindáveis são dedicadas a esses aparelhos, mas, para a leitura não se tem tempo – será que ler é chato? - meu amigo, professor e incentivador Jayme Pinsky.
Já não se vêem mais os saraus musicais nas casas – eu convivi e jamais me abstenho das partituras musicais, dos livros, da leitura e, claro, das bibliotecas; já não se abrem mais as janelas das casas, para a boa música invadir as calçadas e alcançar seus transeuntes, ou aqueles que nela estejam sentados. Ah! Lampião de gás – quanta saudade você me traz.
Hoje as calçadas são tomadas por cadeiras, nos barzinhos que se proliferam; conversas banais são jogadas aos gritos, encoberta pelo som altíssimo de letras e músicas de pouca qualidade. Há um vazio tremendo. Nas escolas, como nos alerta Ruth Rocha, “contrata-se professores que não gostam de ler, todavia, não se contrata um professor de educação física que não goste de nadar”. Aí eu pergunto – o que teria mudado? E, tomando carona nas palavras de Machado de Assis questiono: - “mudaria o natal, ou mudei eu?”.
Tempos modernos, aonde nos levará afinal? Não me preocupo com a geração do século vinte, preocupo-me, sim, com a geração do século vinte e um, porque, como alertava o apóstolo Paulo em suas cartas, em especial aos Coríntios “se com a língua não falarmos palavras bem distintas, como se entenderá o que dizemos? Estaremos como que falando para o ar” e acrescenta que “ há infinidade de sons e, contudo nenhum sem sentido, e que se não soubermos interpretar esses sons, seremos como bárbaros para o que fala, assim como bárbaros para o que ouve”. (1ª Co 14:9/11)
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(*) artigo publicado em 18/3/2008 através do site


quarta-feira, 30 de julho de 2008

Bibliotecários em ação

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Equipe da Fundação Instituto do Livro, da Secretaria Municipal da Cultura, trabalha na catalogação e preparo dos livros recebidos em doação da Fundação Biblioteca Nacional, durante a 8ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto realizada de 6 a 15 de junho 2008. Os livros, cerca de 600 unidades, serão agora enviados às bibliotecas do Programa “Ribeirão das Letras”.

(na foto a partir da esquerda: Artur, Rosana, Alexandre, Inajá, Edvaldo (em pé), Sonia e Rosângela)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Jó 19:23/24



"Quem me dera fossem minhas palavras escritas.
Que fossem gravadas num livro,
com pena de ferro e com chumbo,
para sempre fossem esculpidas na rocha".








(Jó 19:23/24 - Bíblia).


Muito além do mar

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"À medida que adentramos o universo da leitura, descortinando autores e temas, os mais variados, estamos nos familiarizando com as palavras e ganhamos o mundo".
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Inajá Martins de Almeida - Bibliotecária e Documentalista
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