domingo, 29 de agosto de 2010

AUGUSTO CURY - palestra São Carlos

"O CÓDIGO DA INTELIGÊNCIA"
foi a palestra proferida pelo médico psiquiatra e escritor Augusto Cury no teatro La Salle, na cidade de São Carlos nesta quinta-feita dia 26 de agosto de 2010

Dr. Augusto Cury autografa para Elvio Antunes de Arruda o livro tema da palestra
Inajá Martins de Almeida se apresenta com dois livros: "O futuro da humanidade" e "Mentes brilhantes" - o qual fora presenteada por seu filho.

Num breve momento, tenho oportunidade de lhe dizer que o "Futuro da humanidade" chamara-me especial atenção, quando me vi nas linhas do texto. 
Era eu a personagem que se via mergulhada no enredo, quando me fazia acreditar que era possível sobreviver quando se perde tudo.
"Que a felicidade era uma eterna construção" e nos apontava para o futuro.
Magnífica leitura.

"Mentes brilhantes, mentes treinadas" calara-me forte, pois fora presente de meu filho (e não poderia ter escolhido melhor)

"Os olhos da face enxergam comportamentos visíveis, os olhos altruístas enxergam o que está por detrás deles. O amor inteligente enxerga as qualidades que as imagens não revelam, garimpa ouro nos solos rochosos dos outros".

É um momento em que leitora pode se encontrar com seu escritor e dedicar-lhe algumas de suas muitas impressões. Olhares se cruzam, sorrisos são trocados, palavras pronunciadas. Inesquecível encontro. 
Creio ser uma troca recíproca: o reconhecimento do leitor para seu autor, bem como do autor para seu leitor.

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fotos Elvio Antunes de Arruda
Comentários Inajá Martins de Almeida 

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

José Ephim Mindlin

José Ephim Mindlin, nasceu em São Paulo aos 8 de setembro de 1914 e faleceu na mesma cidade aos 28 de fevereiro de 2010, ano em que completaria 96 anos. Advogado, empresário, membro da Academia Brasileira de Letras, eleito em 2006 e o maior bibliófilo brasileiro, paixão adquirida aos treze anos de idade, quando então iniciava sua coleção riquíssima de coleções, livros e títulos. Hoje o acervo faz parte do complexo USP, doação efetuada no mesmo ano em que fora eleito membro da Academia, quando então se manifesta ao fato - “de certa forma, coroa uma vida dedicada aos livros”. A partir do que a biblioteca passa a ser chamada de “Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin”, ao mesmo tempo em que se manifestava “nunca me considerei o dono desta biblioteca. Eu e Guita [esposa já falecida de Mindlin] éramos os guardiães destes livros que são um bem público.

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Texto de Inajá Martins de Almeida
Para complementar o assunto vide -  http://pt.wikipedia.org/wiki/José_Mindlin 

O guardião da biblioteca de Mindlin


Pedro Puntoni, historiador que frequentava a casa do bibliófilo, comanda projeto de digitalização do acervo e construção do prédio que abrigará os 40 mil volumes


Era julho de 2007. Pedro Puntoni havia acabado de ser nomeado diretor da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, em instalação na Universidade de São Paulo (USP), e almoçava na casa do empresário e bibliófilo José Mindlin:
- Doutor José - dirigiu-se ao bibliófilo -, queria lhe dizer que me sinto muito honrado com o cargo, com tanta responsabilidade. E espero corresponder à altura.
- Pedro, nós vamos ajudá-lo - ele respondeu. Sei que este é um peso enorme.
E naquele mesmo dia ficou acertado que Puntoni precisava "aprender a biblioteca":
- Você tem de conhecer toda ela - frisava Mindlin.
Trataram de selar um acordo. A partir disso, quinta-feira havia um programa sagrado para o novo diretor. "Era o dia da semana em que eu passei a ir cedo à casa dele e só sair de lá no fim do dia", relata. "Quando o doutor José estava, conversávamos, ele me contava histórias sobre os livros, me pedia para ler algum poema." Quando ficava sozinho, aproveitava para circular entre as estantes e conhecer um pouco daquele mundo que, aos poucos, também se tornava um pouquinho seu. "Não era uma coisa sistemática. Ele via o livro que despertava interesse nele na hora", conta Cristina Antunes, que trabalha no acervo de Mindlin há três décadas.
Essas visitas semanais ocorreram até dezembro do ano passado. "No comecinho de janeiro, ainda passei lá para desejar feliz ano-novo ao doutor José", afirma Puntoni, hoje com 43 anos. Foi a última vez em que eles se viram. Dias depois, o bibliófilo acabou hospitalizado. Em 28 de fevereiro, aos 95 anos, José Mindlin morreu.
Da casa para a USP. A biblioteca em questão, com 17 mil títulos - ou 40 mil volumes -, é o maior e mais relevante acervo originalmente particular de livros do Brasil. Mindlin começou a formá-lo aos 13 anos. "A ideia de transformar em algo público foi aventada pela primeira vez ainda nos anos 80", lembra Puntoni. "Em 1999, doutor José manifestou, em carta, a intenção de doar os livros à universidade." Sete anos mais tarde, finalmente, o ato foi oficializado: Mindlin legava à USP, de papel passado, sua preciosa Brasiliana.
Professor da mesma universidade, o historiador Pedro Puntoni entraria no projeto apenas no ano seguinte. Mas sua relação com Mindlin era mais antiga. "Em 1990, quando fazia meu mestrado, recorri ao doutor José porque só ele tinha uma coleção de revistas que eu precisava", recorda-se. "Da primeira vez, ele me recebeu e fez uma verdadeira sabatina sobre meus estudos. Queria saber se eu realmente conhecia os livros e só então me liberou para frequentar a biblioteca." Tornou-se assíduo, por anos. Até o fim do mestrado. Depois, durante todo o doutorado. "Era uma alegria quando ele, sempre gentil, me convidava para um café", diz.
Sua primeira missão à frente da Brasiliana foi coordenar um ousado plano interdisciplinar - que envolve 40 professores da USP - de digitalização do acervo de Mindlin. Um scanner especial foi adquirido para isso e vem funcionando desde abril do ano passado. "Custou US$ 220 mil e tem capacidade para copiar 2,4 mil páginas por hora", detalha o engenheiro eletrônico Edson Gomi, participante do projeto. Mil títulos já estão na internet e podem ser baixados, na íntegra, de graça. "Doutor José era um entusiasta da digitalização, pois acreditava que isso iria ampliar o acesso aos seus livros, sem deteriorá-los", ressalta Puntoni.
O historiador também acompanha a construção do prédio - orçado em R$ 100 milhões e situado na própria Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste de São Paulo - que vai abrigar os 40 mil volumes da Brasiliana. Pelo cronograma, a obra deve ficar pronta no fim de 2011. Ali, além da biblioteca, funcionará o centro de digitalização e um ateliê de restauro de livros. Cultura escrita que deixaria doutor José orgulhoso.
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Reportagem de Edison Veiga, para o jornal O Estado de S. Paulo - http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,o-guardiao-da-biblioteca-de-mindlin,569202,0.htm

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Paixão por livros

Texto de Inajá Martins de Almeida


Durante a 3ª Feira do Livro da cidade de Ribeirão Preto – agosto de 2002 – quando então Coordenadora do Projeto Bibliotecas do Programa Ribeirão das Letras da Secretaria Municipal da Cultura, deparei-me com uma pergunta que me fez repensar sobre meu papel dentro da Biblioteconomia.

Num dos estandes, uma das livreiras, questionando minha paixão pelos livros, perguntou-me o porquê haver escolhido tal profissão, dado o entusiasmo com que desempenhava as atribuições que me foram conferidas e a familiaridade com que tratava o livro.



Parei um momento; jamais pensara nisso – era-me natural estar entre livros – porém, mesmo tomada de sobressalto, rapidamente respondi-lhe, formulando um conceito que passei a incorporar em meu currículo:


OPÇÃO: Em primeiro lugar, tornei-me Bibliotecária, por opção – sim opção – porque pensara seguir a área do Direito, entretanto, pela falta, opção de escola em minha cidade e dificuldade em ausentar-me, optei pela Biblioteconomia e Documentação. 


- PAIXÃO: Em segundo lugar por paixão – pois não fora difícil apaixonar-me pelas aulas de literatura, história do livro, cultura artística e científica e tantas outras, magistralmente ministradas pela drª. e profª. Carminda Nogueira de Castro Ferreira – Dona Carminda como carinhosamente a tratávamos – assim como pelas inúmeras matérias técnicas.


- CONVICÇÃO: Em terceiro e último, por convicção – sim convicção – posto que decorridos os anos, já não pudera mais optar por outra formação a não ser a de Bibliotecária.
Estava convicta de que optara pela profissão certa. A advocacia entraria em minha vida sob formas várias – nas organizações de bibliotecas, nas assessorias junto a advogados, nas empresas que atuava.


Ah! Os livros - desde cedo me acostumei aos livros – amava-os – eles me desvendavam horizontes inimagináveis; proporcionavam-me quebrar barreiras, abrir portas, aprender, criar, deslumbrar, vibrar.


Eles – os livros – levavam-me mais longe ainda; agora eu podia tê-los, em grandes quantidades, nas mãos. Era-me dado o direito de passear através dos seus conteúdos; conhecê-los, estudá-los, transformá-los numa linguagem informacional, para, então colocá-los nas mãos dos leitores, seus usuários. Além do mais, a leitura me levava à escrita, quando então passo a escrever textos e divulgá-los através da internet, com vistas à edição do meu primeiro livro.

Nessa jornada – entre livros – passei por diversos tipos de bibliotecas tanto particulares, micro, média e grandes empresas, assim como escolares – desde a infantil, juvenis a universitárias. Universos que se descortinaram à minha frente, para me fornecerem subsídios nos diversos saberes do conhecimento humano.

Ademais, minha formação em Biblioteconomia possibilitou-me participar da implantação de bibliotecas, dentro do Programa Ribeirão das Letras, da Secretaria da Cultura da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, num período de trinta meses, embora célere, transformou minha vida profissional – abriu-me novas perspectivas no grande leque da palavra e do saber.

Projeto ousado, cujo idealizador o então Secretário da Cultura, Galeno Amorim, vislumbrava a implantação de 80 bibliotecas em locais onde se fazia necessário. A mim, como coordenadora, competia desenvolver projetos ligados à contratação e capacitação de estagiários, estímulo e incentivo a leitura e, principalmente, a abertura de bibliotecas.

Nesse momento, voltava ao passado e rememorava minhas aulas de referência bibliográfica, na então Escola de Biblioteconomia e Documentação de São Carlos (atual UFSCAR), no início da década de 70, quando nos era apresentado um personagem ilustre que marcou seu tempo, ao abrir bibliotecas e formular a célebre teoria sobre as Cinco Leis da Biblioteconomia: Shialy Ramamrita Ranganathan.

Pude então perceber que: “o que foi é o que há de ser; e o que se fez isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós. Já não há lembrança das coisas que precederam; e das coisas posteriores também não haverá memória entre os que hão de vir depois delas”.(ECLESIASTES 1:9/11)

Assim como nada é novo, criar bibliotecas voltar-se para o papel da leitura na formação do cidadão, já fazia parte dos anseios de Ranganathan, quando, preocupado com o ensino e pesquisa em seu país, promove campanha para melhorar a biblioteca da Universidade de Madras – Índia. Essa ocorrência, contudo, iria mudar o curso de sua vida, assim como da Biblioteconomia em si, nos idos 1916.

Semelhantemente a esse fato, os quatro anos – 2000 a 2004 – serviriam também para transformar o ritmo de uma cidade interiorana de porte médio – Ribeirão Preto.

Foi um momento “efervescente”, segundo Galeno, onde se falava em livros e bibliotecas, na mesma proporção em que projetos culturais se desenvolviam nos quatro cantos do município, quando então a imprensa então noticiava: – “projeto multiplica número de livros em Ribeirão e muda o padrão de leitura da população”; este era o Programa Ribeirão das Letras.

Se o curso da vida de Ranganathan, a partir desse momento, tomaria outros rumos, não fora diferente para Galeno, tampouco para mim, quando tenho oportunidade de  travar sólido relacionamento com o pensador Elanklever – Elvio Antunes de Arruda - e temos a mostrar aonde nossa paixão pelos livros nos levariam, quando em janeiro de 2007 lançamos a primeira edição do livro “Definições Reflexivas: grandes detalhes”, de sua autoria, com vista a outras. 
Ademais “de fazer muitos livros não há fim”. (Eclesiastes 12:12)

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na foto Inajá quando então bibliotecária no Centro Universitário Barão de Mauá em Ribeirão Preto - 1998


CONTATO: inaja.ima@gmail.com

O Livro sou eu!

Entre livros nasci . 
Entre livros me criei . 
Entre livros me formei . 
Entre livros me tornei. 
Enquanto lia o livro, 
lia-me, a mim, o livro.
Hoje não há como separar:
O livro sou eu:
Bibliotecária por
Opção
Paixão 
Convicção.


Inajá Martins de Almeida

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LIVROS SOBRE A MESA (pintura de Elvio Arruda - Elanklever) - Ribeirão Preto - novembro 2007

sábado, 5 de junho de 2010

Reflexões sobre o livro e o escritor

pela Bibliotecária Inajá Martins de Almeida


Bem aventurado aquele que escreve; arrisca o verso e a prosa e, torna-se um escritor.

Bem aventurado aquele que mescla o leitor com o escritor.

Dê-me uma meada de lã e eu teço um agasalho.
Dê-me uma palavra e eu formulo uma frase.
Dê-me uma frase e eu escrevo um texto.
Dê-me um texto e eu componho um livro”.


Desde cedo me acostumei aos livros, as linhas e as lãs. Nos livros aprendi a ler, nas linhas escrever e, com lã, tecer. Agora, já não sei viver sem os livros, sem as linhas, tão pouco sem as lãs.

Leitor. Arrisque o verbo nas asas da escrita. Invente... tente... crie seus próprios textos, sem almejar o estrelato ou a fama do escritor. Esta será apenas a consequência.

Livros nos fazem livres; dá-nos fluência verbal; tornam-nos partícipes da sociedade.

Na jornada da leitura, percebo a riqueza de informação a ser compartilhada, então, incansável, leio, releio, faço anotações, escrevo, dissemino, compartilho, porque “não há limites para fazer livros”, como nos exorta Eclesiastes 12:12.

Nas entrelinhas percebo uma frase e logo penso num texto.

No garimpo da leitura, encanta-me selecionar falas.

No mundo encantado da escrita, as palavras vão me encontrando e me escrevendo. E leio... E releio... E escrevo... E apago... E volto a escrever, porque escrevendo, vou me conhecendo.

Quando pensamos nos livros como fonte de informação, logo nos vêm à mente os recursos que devemos utilizar para a satisfatória transmissão do conhecimento. Assim, registros, organização, armazenagem, preservação, devem ser pontos perceptíveis para a transmissão de conhecimento para as gerações vindouras, e o Bibliotecário se torna a ponte entre a informação e o usuário.

Torno-me permissiva ao autor, quando me vejo a invadir sua composição, apossando-me de citações, as quais vêem se enquadrar a cada momento de transpiração, quando a ler e a escrever estou.

Um livro pode resgatar um sonho adormecido.

Uma leitura bem feita enriquece tanto aquele que escreve, quanto ao que lê. Também de nada adianta um bom leitor, sem que haja um bom escritor, um bom diálogo, que leve o leitor aos ambientes criados pelo autor, aquele que está sendo lido.

Vejo a poesia na lã, na linha, percebo o verso. Confecciono poesia, com a lã, na linha escrevo verso.


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fotos Elvio Antunes de Arruda - Ribeirão Preto - janeiro 2008 


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Reflexões sobre a biblioteca e o bibliotecário

pela Bibliotecária Inajá Martins de Almeida


A biblioteca sendo um organismo em constante movimento e desenvolvimento, o Bibliotecário deverá ter bem definido seu papel como educador, mais do que disseminador da informação.

Ao Bibliotecário compete ser elemento partícipe de processos de transformação, uma vez que com ele detém o conhecimento e este é moeda corrente.

Ao Bibliotecário não compete aceitar simplesmente ser um disseminador de informação, com profundos conhecimentos técnicos, mas, sobretudo, valer-se de novos métodos e instrumentos, para levar essa mesma informação ao usuário.

O Bibliotecário, além de facilitador da informação, deverá ter plena consciência do seu papel social e de educador, fornecendo aos leitores informações adequadas às suas necessidades, respeitando suas individualidades.

Quando pensamos na possibilidade de que cada leitor tenha seu livro, vislumbramos o livre acesso ao conhecimento. Neste ponto o papel do Bibliotecário se torna fundamental, posto que ele passa a ser o mediador entre o leitor e a informação – entra aqui o Bibliotecário, não mais como simples técnico, mas também como educador.

Reflexões sobre a leitura

pela Bibliotecária Inajá Martins de Almeida
A era da informação, exige que avancemos incessantemente e o mundo globalizado, pede pessoas cada vez mais preparadas para o mercado competitivo e essa preparação, somente é possível através da leitura.

A leitura leva o leitor para longe da ignorância verbal; abre-lhe a mente para o raciocínio lógico e crítico.

A leitura nos faz ganhar tempo, quando podemos reunir tantas lembranças e conhecimento, num espaço de tempo que se conta em centenas ou até milhares de anos. Aproxima-nos de povos numa fração de segundos, sem ao menos tirar os olhos do papel.

A leitura passa a exercer papel preponderante na formação do cidadão, quando este se conscientiza, aprende a gostar e entender a extensão que a mesma influencia sua vida, a partir do que passa vislumbrar a possibilidade de criar, inventar, contar uma história, ser a própria história.

À medida que adentramos o universo da leitura, descortinando autores e temas, os mais variados, percebemos que vamos nos familiarizando cada vez mais com a palavra e ganhamos o mundo.

A palavra... Somente a palavra tem o poder de transformar, de colorir, de pintar nossas emoções, nossas expressões nas linhas que nossa existência conta.

Antes mesmo de tornar a leitura um prazer, temos de entendê-la como obrigação, assim como tantas outras obrigações que permeiam nosso cotidiano, porém, uma obrigação que nos trará recompensas, porque somente ela – a leitura – poderá nos tirar da escravidão da ignorância verbal e oral.

Aquele que não lê e, mesmo que o faça, não consegue interpretar o que lê, encontra-se a margem da sociedade em constante mudança.

Ao lermos um livro, pensamos e criamos nossa própria realidade, uma vez que cada leitor se torna um co-autor, à medida que sua compreensão alcance seu olhar e o universo que o cerca.

Bem aventurado aquele que lê e se torna um pensador

Cada leitor pode se torna um co-autor, interpretando, recontando a leitura, sob seu ponto de vista, fazendo com que os livros tenham seu próprio destino. Não há, portanto, história que não possa ser contada de diferentes formas, sob a ótica e o ponto de vista do seu interlocutor.

Contudo, se lemos gibis, poesias, jornais, textos científicos, textos literários, textos, livros, enfim, não importa o que lemos, se lemos por algum motivo ou razão.

Definições, conceitos, significações, frases, textos, livros, são atributos os quais nos valemos, quando nos predispomos a fazer uma leitura mais acurada, de algo que queremos conhecer melhor, seja apenas por curiosidade, necessidade profissional, para cumprir uma exigência escolar, ou qualquer outra.

Leitura não significa simplesmente o que os textos nos apresentam, mas qualquer percepção que tivermos no nosso cotidiano, porque, leitura também é decifrar imagens.

Lemos para nos comunicar; para resolver uma questão proposta por nós ou por alguém; para nos aperfeiçoar; para nos informar; para adquirir mais conhecimento; para saciar nossa sede do saber; para recreação, quem sabe: cada um sabe para que lê.

Lemos para nos tornar melhores, fluentes no falar, partícipes da sociedade em constante mutação. Lemos por dever, por obrigação, por prazer, por distração.

Lemos porque a necessidade por encontrar pessoas, conhecer lugares, desvendar caracteres, letreiros, números, conhecer a nós mesmos, faz com que paremos a olhar, a questionar, a buscar decifrar o desconhecido e, antes mesmo de lermos a palavra, já lemos o universo que nos permeia.

Ler é romper barreiras, quebrar limites, ultrapassar fronteiras, olhar além do que os nossos olhos possam enxergar. É sair do lugar comum, aventurar-se por caminhos vários. É olhar através das imagens e captar significados além do que a própria vista possa imaginar.

Ler é tomar posse do livro.

Liberdade nada mais é do que a capacidade em pensar o que se quer – e muitas vezes, até o que não se deseja – porém, falar e escrever exige um leque de reflexão, ao interlocutor e autor e, nem sempre, é julgado tão útil na extensão, o quanto se possa imaginar, uma vez que “a cada leitor o seu livro” e “a cada livro o seu leitor”, segundo duas das “Cinco Leis da Biblioteconomia” de Ranganathan, bibliotecário hindu, no início da década de 1920.

Não consigo ver um cidadão completo, que não saiba ler e interpretar as situações que o rodeiam, porque "quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê", já nos alertava Monteiro Lobato.

Nas palavras há, portanto, força e, alerta-nos o pensador Confúcio “sem conhecer a força das palavras é impossível conhecer os homens”, porque "quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma", como complementa o poeta português Fernando Pessoa.

O direito que temos pela leitura é que nos faz desenvolver nossa capacidade intelectual e espiritual de aprender e progredir.

O leitor acostumado a muitas leituras, sabe separar o joio do trigo; sabe perceber a teia da aranha e não se lançar dentro dela.

O prazer da leitura é individual – cada qual, a seu modo, pode senti-lo.

Para se entender como alguém lê, necessita-se saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo: como vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta. Isto faz da compreensão sempre uma interpretação.

Para se formar uma massa crítica, é necessário que o hábito da leitura se forme desde tenra infância; que os alfabetizadores transmitam o prazer de ter um livro em nossas mãos, manuseá-lo, sentir o cheiro do papel, extasiar-se com as cores das gravuras, deleitar-se com as letras que formam uma a uma o conteúdo, e nos remete ao imaginário.

Pesquisas mostram que a pessoa que não lê, e quando lê não consegue fazer uma análise do que leu, tem dificuldade de se relacionar, de se expressar no convívio social e profissional; torna-se pobre de vocabulário.

Somente leitor contumaz, audaz, perspicaz, que acostumado fora às linhas do texto e às entrelinhas do contexto, poderá ler e compreender, as artimanhas que se escondem por trás das linhas, através das entrelinhas.

Temos de criar fome pela leitura; fazer amizade com o conhecimento; desejar, ardentemente, buscar valores que complementem a necessidade dentro do metabolismo – como a carência alimentar – fazendo com que o sangue venha a estar impregnado.

Temos urgência em nos tornar uma nação leitora, não somente ler pelo simples fato de ler, mas saber interpretar o que estamos lendo, nas diversas formas da escrita em nosso cotidiano, quer impressa ou eletrônica.

Torna-se imprescindível criar o hábito da leitura, uma vez que esta, hoje, pode ser vista como artigo de primeira necessidade, todavia, é mister que cada indivíduo desperte dentro de si o interesse em auto instruir-se, para descobrir a força da palavra.

Uma leitura bem feita enriquece tanto aquele que escreve, quanto ao que lê. Também de nada adianta um bom leitor, sem que haja um bom escritor, um bom diálogo, que leve o leitor aos ambientes criados pelo autor, aquele que está sendo lido.

Livro que te quero!


A paixão por livros me levou à leitura
A leitura me levou às linhas e entrelinhas do texto.
Pude me apossar do contexto
e criar meu próprio texto.

Agora não há como negar:
O livro que me levou a tantas leituras
Abriu-me tantos horizontes
 Enreda-me pelo mágico caminho das linhas.

E como é saboroso
Sentir o aroma suave do papel
O deslizar da pena
O deleite de ser leitor e também autor. 



Inajá Martins de Almeida


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foto : Elvio Antunes de Arruda



segunda-feira, 17 de maio de 2010

Carminda Nogueira: uma grande propagadora da profissão


Carminda Nogueira de Castro Ferreira nasceu em Portugal e radicou-se no Brasil em 1948. Teve onze filhos. Nove deles formaram-se em Biblioteconomia, a exemplo da mãe. Formou-se na primeira turma da Faculdade de Biblioteconomia, em São Carlos, na década de 1960, quando a profissão, então de nível médio, passou a ser de nível superior.

É doutora em Letras Românicas pela Universidade de Coimbra; mestre em Biblioteconomia (com a tese então revolucionária denominada O método Keller no Ensino da História do Livro – Um Curso Programado Individualizado); pós-graduada em Ciência da Informação e Administração de Empresas, com especialização em Organização e Métodos (O&M). Dedicou-se à organização de arquivos empresariais e públicos; implantou importantes centros de documentação (como os da Associação Brasileira de Cimento Portland, da TAM, do Itaú etc); e, também, foi professora. Atualmente, presta serviços em dois grandes escritórios de advocacia, como consultora em língua portuguesa, e em empresa de treinamento à distância.

Atenta à evolução das tecnologias da informação e da própria Biblioteconomia, defende a cooperação entre as duas áreas. Acredita ser indispensável que os funcionários dos arquivos tenham formação acadêmica nas áreas de Biblioteconomia ou de Arquivologia, e que os analistas de sistemas e os programadores não realizam grandes projetos de informação sem a assistência desses profissionais. 

A vinda para o Brasil
Meu sogro, pioneiro da indústria são-carlense, fundou, no começo do século passado, uma grande serraria para instalar a linha férrea da Companhia Paulista de Estrada de Ferro, na Alta Araraquarense (hoje formada pelos municípios de Araraquara, Votuporanga, Jales, Fernandópolis, na zona oeste do Estado de São Paulo). Após anos de trabalho intenso, entregou a gerência da empresa a um colaborador de sua confiança e foi para Portugal. Em Coimbra, instalou-se com a família em um palacete na estrada da Beira, hoje avenida Brasil. Por motivos familiares meu marido foi designado pelos pais e irmãos para assumir a direção da empresa. Casada havia seis anos, já com três filhos e grávida do quarto, tive que acompanhá-lo. Cheguei a São Carlos, em São Paulo, no dia 20 de outubro de 1948 e, no dia 23 de novembro (quase um mês depois), nasceu o meu quarto filho.

O começo da vida em São Carlos
A minha formação na Universidade de Coimbra dava-me direito apenas a lecionar no 3º grau. Recebi até um convite do Prof. Antônio Soares Amora para dar aulas na recém-fundada faculdade de Franca. Para lecionar nos níveis de ensino que existiam em São Carlos (antigos 1º e 2º graus), teria que fazer a equiparação do meu diploma em São Paulo. Com filhos pequenos, não podia ausentar-me da cidade e aproveitei, por sugestão do delegado regional de ensino, José Geraldo Keppe, para freqüentar os cursos de férias, proporcionados pelo Ministério da Educação na Campanha de Aperfeiçoamento do Ensino Secundário (CADES), que se realizavam na Seccional de São Carlos nos meses de janeiro e fevereiro. Obtive, assim, o registro no MEC para lecionar Português, Francês, Latim e até Grego. Passei a dar aulas no tradicional colégio feminino de São Carlos (Irmãs Sacramentinas) e me envolvi totalmente nas campanhas educativas daquela cidade, desde a fundação da Escola de Engenharia da USP até a fundação da Universidade Federal.

A descoberta da Biblioteconomia
A Biblioteconomia era, até 1960, considerada de nível médio, e três bibliotecários da Escola de Engenharia, para atender a falta de pessoal especializado, resolveram fundar uma escola profissional. A grande líder Laura Russo trabalhava incansavelmente junto ao deputado Rogê Ferreira para dar ao curso de Biblioteconomia o “status” de 3º grau. E conseguiu (Lei 4084/62).
Então, para consolar meu filho mais velho que, tendo terminado o “científico”, não conseguiu entrar na Escola de Engenharia, propus-me a fazer com ele a nova faculdade de Biblioteconomia, que funcionava na Escola de Engenharia. Já mãe de dez filhos, usei o pretexto de acompanhar o meu filho mais velho na nova faculdade, para que meu  marido consentisse nessa “loucura”. E, assim, acabei por me formar quatro anos depois na nova profissão de nível superior que, pelo conteúdo programático, me deslumbrou. Quase no final do curso, nasceu minha filha Cristina que herdou, desde o ventre materno, o amor à Biblioteconomia. Após a formatura, permaneci na Escola como professora e presidente da Fundação  Mantenedora.

A importância das entidades de classe
Às entidades de classe tenho dado uma grande parte da minha vida. Atuei em entidades como o CRB 8ª Região, a Associação Paulista de Bibliotecários (APB), a Associação de Bibliotecários São-Carlenses, a Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários (FEBAB), o grupo 21 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) etc. Creio que o fato de a profissão não ter, por parte da sociedade, o merecido reconhecimento, deve-se principalmente à falta de participação dos bibliotecários em entidades de classe.

Entrevista concedida a Ana Célia Moura Bibliotecária e jornalista

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Boletim Informativo CRB 8ª Região Conselho Regional de Biblioteconomia - 8ª Região - Estado de São Paulo Ano 14 - N° 1 - 2007

quarta-feira, 24 de março de 2010

Fundo Florestan Fernandes on line


Na última sexta-feira (12), a Biblioteca Comunitária (BCo) da UFSCar lançou o conteúdo digital do Fundo Florestan Fernandes, que pertence à unidade, em comemoração aos 40 anos da universidade e ao Dia do Bibliotecário.

O prefeito Oswaldo Barba participou do evento junto com o reitor da universidade, Targino de Araújo Filho, a secretária municipal de Educação, Lourdes Moraes, a diretora da BCo, Ligia Silva e Souza, o professor Francisco Teixeira, a bibliotecária Vera Lúcia Coscia, o ex-prefeito e ex-reitor da UFSCar, Newton Lima.

O Fundo Florestan Fernandes possui cerca de 30 mil páginas de documentos pessoais e profissionais do sociólogo. São fotos, entrevistas transcritas, correspondências, cadernos de pesquisa, trabalhos de alunos, fichas manuscritas, além de vários outros documentos doados pela família de Florestan.

“Quem quiser falar ou escrever sobre o Florestan Fernandes precisa vir a São Carlos, que abriga todo o acervo sobre ele, um dos melhores sociólogos do país”, disse o prefeito Barba.

Todos esses documentos estão disponíveis para acesso online, através da página eletrônica da biblioteca da UFSCar. No ano passado, o Fundo foi reconhecido pelo programa Memória do Mundo da Unesco e considerado um patrimônio documental da Humanidade.

Foi lançado ainda o livro “Florestan Fernandes: leituras e legados”, publicada pela editora Global, dividido em duas partes: a 1ª traz um texto que Florestan Fernandes escreveu aos 26 anos para a tradução da obra “A contribuição à crítica da Economia Política”, de Karl Marx. Há ensaios que tratam do folclore, da guerra, da cultura popular, da economia indígena, dentre outros temas. A 2ª parte traz textos em que Florestan analisa a Sociologia no Brasil, a educação, o socialismo e a classe trabalhadora.

Tanto a universidade quanto a Prefeitura fizeram também uma homenagem à bibliotecária Carminda Nogueira de Castro Ferreira, em comemoração ao dia dos profissionais dessa área.


O dia do Bibliotecário - Manuel Bastos Tigre

O Dia do Bibliotecário é comemorado no Brasil desde 1958, em homenagem a Manuel Bastos Tigre, que nasceu nesse dia, em 1882. Engenheiro, jornalista, poeta e teatrólogo, em 1915, aos 33 anos de idade, Bastos Tigre deixou de exercer engenharia e passou a devotar a sua vida em completo aos livros e à Biblioteconomia. Trabalhou no Museu Nacional, na Biblioteca da Associação Brasileira de Imprensa, na Biblioteca Nacional (1945-47) e em seguida por mais de 20 anos na Biblioteca Central da Universidade do Brasil, da qual foi diretor. Faleceu em 2 de Agosto de 1957, aos 75 anos.Bastos Tigre exerceu a profissão de Bibliotecário durante cerca de 40 anos, sendo considerado o primeiro Bibliotecário por concurso, no Brasil.

Dia do Bibliotecário - homenagem


DIA DO BIBLIOTECÁRIO - 12 de março de 2010 - Câmara Municipal de São Carlos



A Câmara Municipal realizou na última sexta-feira (12) a primeira sessão comemorativa ao “Dia do Bibliotecário” em cumprimento à lei municipal No. 14.194, quando foram prestadas homenagens às bibliotecárias Carminda Nogueira de Castro Ferreira (uma das fundadoras da Escola de Biblioteconomia e Documentação de São Carlos) e Maria Carlota Larosa (que trabalha no serviço público municipal há 34 anos). O orador oficial da sessão foi o presidente da Câmara, vereador Lineu Navarro (PT) que destacou a importância da comemoração da data para reflexão voltada à valorização dos bibliotecários. A secretária municipal de Educação, Maria de Lourdes Morais, compareceu à solenidade representando o prefeito Oswaldo Barba (PT), que teve também as presenças da diretora do SIBI (Sistema Integrado de Bibliotecas de São Carlos), Claudete Cury Sacomano, e do ex-vereador Marquinho Amaral, representando o deputado Lobbe Neto (PSDB-SP).Durante a sessão foi lida mensagem a propósito da comemoração da data, enviada pela presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia (CRB 8), Evanda Veri Paulino.


Fonte: http://www.camarasaocarlos.sp.gov.br/portal/index.php/camara-informa/880-carminda-de-castro-ferreira-e-maria-carlota-larosa-foram-homenageadas.html

segunda-feira, 22 de março de 2010

Dª Carminda - doce lembrança


"Meu método de ensino é ensinar o aluno a pesquisar o que não sabe"
(Carminda Nogueira de Castro Ferreira)



Dª Carminda Nogueira de Castro Ferreira e Inajá Martins de Almeida 
 São Carlos 12 de março de 2010

A homenageada Dª Carminda, recebe o carinho dos ex-alunos mas, com certeza, a mais beneficiada com tal comenda fui eu, por ter tido o privilégio de conhecê-la e receber profundos conhecimentos teóricos e práticos através de brilhantes aulas por ela ministradas na então Escola de Biblioteconomia e Documentação de São Carlos. Professora que marcou profundamente minha vida pessoal e profissional, agora, depois de quatro décadas exatamente (1970 - 2010), poder reencontrá-la em seu pleno vigor físico, mental e espiritual é, para mim, razão de profunda graça.

Realmente, seu método revolucionário de ensino me levaria a jamais deixar de ser uma pesquisadora.

Foram apenas três anos, mas que fizeram, fazem e continuarão fazendo marcante diferença em minha vida. Bibliotecária por formação, por paixão, por convicção; cientista da informação, não pelo termo imposto pela modernidade, mas pela certeza de que, ao buscar aquilo que não sei, posso me aproximar mais da realidade de que nada sei e, a partir do que, jamais me distanciar do conhecimento, único e certo legado para a humanidade, sua orientação para que, de suas tantas matérias, recolhêssemos retalhos, que nos proporcionassem tecer colchas, acompanharam meus passos, durante toda minha jornada. Aos poucos, então, colchas tecia, com retalhos de lã, lembranças das linhas - artesã: das agulhas na lã, das palavras na linha. O tempo, realmente pediu conta de meu tempo e ao olhar para trás, aquelas doces lembranças de um passado marcante; aquela jovem ávida por galgar uma carreira, ainda sem futuro, ainda sem história; aquela professora que faria toda a diferença vida afora, decorridos os anos, os quais se contam em quarenta, os sorrisos escancarados, estampados no rosto - sorriso da alma - pode recolher um retalho, numa alegria que não se conta.

12 de março de 2010 – Dia do Bibliotecário

Inesquecível Dª Carminda, torna presente o maior dos presentes: o legado do conhecimento. Seu sorriso franco, limpo, aberto, claro, sem maquiagem, expressa a tranquilidade da missão cumprida.

Aquela jovem sonhadora, Inajá, que tecia retalhos futuros, ao ouvir da mestra querida que: - "o bibliotecário não tem futuro; ele é o futuro", pode amealhar mais um retalho para sua colcha, ao fazer da sua vida entre livros a sua realização pessoal.
Com certeza, Deus é tudo de bom, ao me cercar de gratas pessoas:
Minha mãe que me legou o prazer das lãs; formou-me o caráter.
Meu pai que me levou ao gosto pelos livros e pelas linhas; desenvolveu-me o senso crítico da pesquisa.
Meu irmão que me ensinou a humildade do perdão.
Meu filho que me proporcionou avançar na era tecnológica e, acima de tudo, me realizar quanto mãe.
Minha nora extensão maior da continuidade de gerações.
Minha neta legado de Deus para minha "velhice".
Cunhada, Sobrinhos, sobrinhos netos, tios, primos, professores, colegas, amigos.
Meu companheiro, aquele que acompanha meus passos no presente.
Dª Carminha - inesquecível.
Professora que soube transmitir e encravar em minhas entranhas a paixão pela Biblioteconomia.
Sem sombra de dúvidas, os retalhos continuam sendo recolhidos; a colcha tecida... Quantas!
Querida, doce e meiga dona Carminda. Grata pela lembrança da sua presença em minha vida. Pela transmissão do seu conhecimento. Pela sua sabedoria em desvendar meu potencial in potencial. Pelo seu abraço terno neste dia. Pelo seu sorriso grato. Pela permissão de uma foto ao seu lado. Grata pelo seu exemplo de vida. Grata pelos seus retalhos... Eternamente grata. 

Inajá Martins de Almeida - Bibliotecária


(Foto Elvio Antunes de Arruda)
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