"... Manter um diário ou escrever, as próprias memórias deveria ser obrigação “imposta pelo estado”: o material acumulado após três ou quatro gerações teria valor inestimável. Resolveria muitos problemas psicológicos e históricos que afligem a humanidade. Não existe memória, embora escritas por personagens insignificantes, que não apresentem valores sociais e pitorescos de primeira ordem”. (Tomasi di Lampedusa - Os Contos)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

PAIXÃO POR LIVROS

(texto de Inajá Martins de Almeida)


Durante a 3ª Feira do Livro da cidade de Ribeirão Preto – agosto de 2002 – quando então Coordenadora do Projeto Bibliotecas do Programa Ribeirão das Letras da Secretaria Municipal da Cultura, deparei-me com uma pergunta que me fez repensar sobre meu papel dentro da Biblioteconomia.

Num dos estandes, uma das livreiras, questionando minha paixão pelos livros, perguntou-me o porquê haver escolhido tal profissão, dado o entusiasmo com que desempenhava as atribuições que me foram conferidas e a familiaridade com que tratava o livro.

Parei um momento; jamais pensara nisso – era-me natural estar entre livros – porém, mesmo tomada de sobressalto, rapidamente respondi-lhe, formulando um conceito que passei a incorporar em meu currículo:

– Em primeiro lugar, tornei-me Bibliotecária, por opção – sim opção – porque pensara seguir a área do Direito, entretanto, pela falta, opção de escola em minha cidade e dificuldade em ausentar-me, optei pela Biblioteconomia e Documentação; em segundo lugar por paixão – pois não fora difícil apaixonar-me pelas aulas de literatura, história do livro, cultura artística e científica e tantas outras, magistralmente ministradas pela drª. e profª. Carminda Nogueira de Castro Ferreira – Dona Carminda como carinhosamente a tratávamos – assim como pelas inúmeras matérias técnicas; em terceiro e último, por convicção – sim convicção – posto que decorridos os anos, já não pudera mais optar por outra formação a não ser a de Bibliotecária.

Estava convicta de que optara pela profissão certa. A advocacia entraria em minha vida sob formas várias – nas organizações de bibliotecas, nas assessorias junto a advogados, nas empresas que atuava.

Ah! Os livros - desde cedo me acostumei aos livros – amava-os – eles me desvendavam horizontes inimagináveis; proporcionavam-me quebrar barreiras, abrir portas, aprender, criar, deslumbrar, vibrar.

Eles – os livros – levavam-me mais longe ainda; agora eu podia tê-los, em grandes quantidades, nas mãos. Era-me dado o direito de passear através dos seus conteúdos; conhecê-los, estudá-los, transformá-los numa linguagem informacional, para, então colocá-los nas mãos dos leitores, seus usuários. Além do mais, a leitura me levava à escrita, quando então passo a escrever textos e divulgá-los através da internet, com vistas à edição do meu primeiro livro.

Nessa jornada – entre livros – passei por diversos tipos de bibliotecas tanto particulares, micro, média e grandes empresas, assim como escolares – desde a infantil, juvenis a universitárias. Universos que se descortinaram à minha frente, para me fornecerem subsídios nos diversos saberes do conhecimento humano.

Ademais, minha formação em Biblioteconomia possibilitou-me participar da implantação de bibliotecas, dentro do Programa Ribeirão das Letras, da Secretaria da Cultura da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, num período de trinta meses, embora célere, transformou minha vida profissional – abriu-me novas perspectivas no grande leque da palavra e do saber.

Projeto ousado, cujo idealizador o Jornalista, então Secretário da Cultura, Galeno Amorim, vislumbrava a implantação de 80 bibliotecas em locais onde se fazia necessário. A mim, como coordenadora, competia desenvolver projetos ligados à contratação e capacitação de estagiários, estímulo e incentivo a leitura e, principalmente, a abertura de bibliotecas.

Nesse momento, voltava ao passado e rememorava minhas aulas de referência bibliográfica, na então Escola de Biblioteconomia e Documentação de São Carlos (atual UFSCAR), no início da década de 70, quando nos era apresentado um personagem ilustre que marcou seu tempo, ao abrir bibliotecas e formular a célebre teoria sobre as Cinco Leis da Biblioteconomia: Shialy Ramamrita Ranganathan.

Pude então perceber que: “o que foi é o que há de ser; e o que se fez isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós. Já não há lembrança das coisas que precederam; e das coisas posteriores também não haverá memória entre os que hão de vir depois delas”. (ECLESIASTES 1:9/11)

Assim como nada é novo, criar bibliotecas voltar-se para o papel da leitura na formação do cidadão, já fazia parte dos anseios de Ranganathan, quando, preocupado com o ensino e pesquisa em seu país, promove campanha para melhorar a biblioteca da Universidade de Madras – Índia. Essa ocorrência, contudo, iria mudar o curso de sua vida, assim como da Biblioteconomia em si, nos idos 1916.

Semelhantemente a esse fato, os quatro anos – 2000 a 2004 – serviriam também para transformar o ritmo de uma cidade interiorana de porte médio – Ribeirão Preto.

Foi um momento “efervescente”, segundo Galeno, onde se falava em livros e bibliotecas, na mesma proporção em que projetos culturais se desenvolviam nos quatro cantos do município, quando então a imprensa então noticiava: – “projeto multiplica número de livros em Ribeirão e muda o padrão de leitura da população”; este era o Programa Ribeirão das Letras.

Se o curso da vida de Ranganathan, a partir desse momento, tomaria outros rumos, não fora diferente para Galeno, tampouco para mim, quando paço a travar sólido relacionamento com o pensador Elanklever – Elvio Antunes de Arruda - e temos a oportunidade de mostrar aonde nossa paixão pelos livros nos levariam, quando em janeiro de 2007 lançamos a primeira edição do livro “Definições Reflexivas: grandes detalhes”, de sua autoria, com vista a outras. Ademais “de fazer muitos livros não há fim”. (Eclesiastes 12:12)

O QUE TERIA MUDADO?

(texto de Inajá Martins de Almeida)


Segundo dados da Câmara Brasileira do Livro(*), no Brasil são produzidos mais de 320 milhões de livros por ano, o que corresponde a 1,4 livros por pessoa – muito pouco comparado a outros países; apenas um terço da população aprecia, ou tem o hábito da leitura; entretanto, em tempo algum se falou tanto em livros, leitura e bibliotecas, como em nossa época – eu mesma tive a oportunidade de implantar mais de sessenta bibliotecas durante o período de 2000 à 2004 na cidade de Ribeirão Preto, no magistral Programa Ribeirão das Letras, quando então Coordenadora de Bibliotecas.

Em tempo algum na história, jamais se viu tantas pessoas se irmanaram de forma tão ávida para minimizar dificuldades de expressão, de comunicação produzida pela falta de leitura crítica – aquela leitura que dá ao indivíduo condições de poder interferir na sociedade, como gerador de opinião, de partícipe em mudanças sociais, profissionais, políticas, familiares – como em nossos dias.

Há todo momento vemos em diversos veículos de comunicação – revistas, jornais, internet – enquete ser lançada, buscando explicações para o fato de que se lê pouco, mesmo assim os números continuam alarmantes – “pouco se lê no Brasil”.

Nascida numa família de leitores, onde os recursos financeiros eram limitados, não nos preocupávamos com os preços dos livros, como nos dias atuais, pois meus pais abstinham-se de algo, para comprar livros e formar nossa biblioteca, que na década de 1960 já possuía um acervo aproximado de 1.500 títulos.

Os amigos e parentes que freqüentavam nossa casa se deslumbravam com aquela pequena biblioteca particular; assim digo com orgulho que nasci entre livros e leitores. Minha avó no interior paulista aprendera a ler praticamente sozinha e lia vorazmente livros e revistas, ao que lhe proporcionava falar com desenvoltura e fluência, além de apreciar a boa música que soava do acordeão de sua filha. A biblioteca da cidade [Araras/SP] com seus mais de 30.000 livros fornecia títulos aos seus leitores, que a buscavam com sagacidade; era um passeio obrigatório para os que vinham de outras localidades passar férias, assim como a leitura de bons romances.

Hoje, contudo, vemos as bibliotecas públicas com pouca freqüência, mas, as lan houses abarrotadas de jovens; os jogos eletrônicos serem procurados em larga escala; fala-se em pouco tempo para leitura, e no alto custo dos livros, mas os aparelhos eletrônicos marcam recordes em vendagem. Em cada lar pode-se encontrar mais de um televisor, dvd, aparelhos de som – que infeliz contradição; não se questiona preço dos eletrônicos, pagos em prestações a perderem-se de vista, entretanto questiona-se o preço do livro (o que faz o marketing!). Horas infindáveis são dedicadas a esses aparelhos, mas, para a leitura não se tem tempo – será que ler é chato? - meu amigo, professor e incentivador Jayme Pinsky.

Já não se vêem mais os saraus musicais nas casas – eu convivi e jamais me abstenho das partituras musicais, dos livros, da leitura e, claro, das bibliotecas; já não se abrem mais as janelas das casas, para a boa música invadir as calçadas e alcançar seus transeuntes, ou aqueles que nela estejam sentados. Ah! Lampião de gás – quanta saudade você me traz.

Hoje as calçadas são tomadas por cadeiras, nos barzinhos que se proliferam; conversas banais são jogadas aos gritos, encoberta pelo som altíssimo de letras e músicas de pouca qualidade. Há um vazio tremendo. Nas escolas, como nos alerta Ruth Rocha, “contrata-se professores que não gostam de ler, todavia, não se contrata um professor de educação física que não goste de nadar”. Aí eu pergunto – o que teria mudado? E, tomando carona nas palavras de Machado de Assis questiono: - “mudaria o natal, ou mudei eu?”.

Tempos modernos, aonde nos levará afinal? Não me preocupo com a geração do século vinte, preocupo-me, sim, com a geração do século vinte e um, porque, como alertava o apóstolo Paulo em suas cartas, em especial aos Coríntios “se com a língua não falarmos palavras bem distintas, como se entenderá o que dizemos? Estaremos como que falando para o ar” e acrescenta que “ há infinidade de sons e, contudo nenhum sem sentido, e que se não soubermos interpretar esses sons, seremos como bárbaros para o que fala, assim como bárbaros para o que ouve”. (1ª Co 14:9/11)

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(*) artigo publicado em 18/3/2008 através do site

quarta-feira, 30 de julho de 2008

BIBLIOTECÁRIOS EM AÇÃO

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Equipe da Fundação Instituto do Livro, da Secretaria Municipal da Cultura, trabalha na catalogação e preparo dos livros recebidos em doação da Fundação Biblioteca Nacional, durante a 8ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto realizada de 6 a 15 de junho 2008. Os livros, cerca de 600 unidades, serão agora enviados às bibliotecas do Programa “Ribeirão das Letras”.

(na foto a partir da esquerda: Artur, Rosana, Alexandre, Inajá, Edvaldo (em pé), Sonia e Rosângela)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

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MUITO ALÉM DO MAR

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"À medida que adentramos o universo da leitura, descortinando autores e temas, os mais variados, estamos nos familiarizando com as palavras e ganhamos o mundo".
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Inajá Martins de Almeida - Bibliotecária e Documentalista
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PINO DAENI - pintor italiano (1939)

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"O Bibliotecário, além de facilitador da informação, deverá ter plena consciência do seu papel social e de educador, fornecendo aos leitores informações adequadas às suas necessidades, respeitando suas individualidades".
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Inajá Martins de Almeida - Bibliotecária e Documentalista



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."Somente leitor contumaz, audar, perspicaz, que acostumado fora às linhas do texto e às entrelinhas do contexto, poderá ler e comrpeender as artimanhas que se escondem por trás das linhas, através das entrelinhas" .
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Inajá Martins de Almeida - Bibliotecária e Documentalistas


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"Há livros que entram em nossas vidas e marcam para sempre. Ainda que sejam perdidos, amassados, decompostos pelo tempo, sua idéia tomou corpo dentro daquele corpo que dele se apossou. A leitura é essa inebriante experiência, maior ainda se podemos nos tornar partícipes da obra do autor, na sua co-autoria".
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Inajá Martins de Almeida - Bibliotecária e Documentalista
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terça-feira, 22 de julho de 2008

LIVRARIA LELLO

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JUAN LASCANO - pintor argentino (1947)

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El libro y la fantasia"A leitura leva o leitor para longe da ignorância verbal. Abre-lhe a mente para o raciocínio lógico e crítico".

(Inajá Martins de Almeida - Bibliotecária e Documentalista)

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El libro

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"Um livro pode resgatar um sonho adormecido, porque livros nos tornam livres, dá-nos fluência verbal e tornam-nos partícipes da sociedade"
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(Inajá Martins de Almeida - Bibliotecária e Documentalista)
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ANNE VALLAYER-COSTER - pintora francesa (1744-1818)

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"À medida que adentramos o universo da leitura,
descortinando autores e temas,
os mais variados,
estamos nos familiarizando com as palavras
e ganhamos o mundo".
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Inajá Martins de Almeida - Bibliotecária e Documentalista

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