sexta-feira, 28 de agosto de 2015

BIBLIOTECÁRIO HÁ QUE SER UM INTELECTUAL...

“Defendo que todo bibliotecário é, fundamentalmente, um intelectual, 
ou seja, como disse Foucault, um sujeito que tem por papel 
‘mudar algo no espírito das pessoas’. 
Um bibliotecário letárgico é, portanto, um engodo, 
um desserviço à sociedade”, afirma Santos.

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Barrado na escola por uniforme velho, vendedor de cocadas faz 5 faculdades

Ele era criticado por não ter mochila, usar tênis gasto e ser filho de pedreiro.
Hoje bibliotecário da Câmara, homem tem livro indicado ao
Prêmio Jabuti.


Raquel MoraisDo G1 DF

O brasiliense Cristian Santos não tem dúvidas de que a paixão pela leitura o permitiu mudar de vida. Vendedor de cocadas na infância e na adolescência para ajudar os pais, ele chegou a ser impedido de assistir aulas em uma escola pública por não ter condições de comprar um uniforme novo. O jovem se refugiava das críticas dos colegas na biblioteca, onde encontrou livros que o ajudaram a ingressar na universidade e conquistar cinco graduações.


Aos 19 anos, o garoto conseguiu estágio e passou a ganhar R$ 250 por mês. O dinheiro foi usado em um cursinho preparatório para o cargo de técnico judiciário. Aprovado, ele deixou de vender cocadas e passou a sustentar os pais e as cinco irmãs.

Outras formações e prêmios

Após concluir biblioteconomia, Santos foi aprovado em primeiro lugar no concurso do Superior Tribunal de Justiça para o cargo de bibliotecário. Na mesma época ele passou a apresentar, na condição de bolsista, trabalhos científicos na Argentina, Finlândia, Noruega e Estônia. 

“Numa tarde chuvosa, fui a uma daquelas lojas de R$ 1,99 a pedido de minha mãe. Encontrei numa estante de canto 'A morte de Ivan Ilitsch'. Voltei para casa sem o escorredor de macarrão, mas na companhia de Tolstoi. A novela me feriu, e minha paixão pela literatura alcançou um nível alarmante. Acabei me graduando em língua e literatura francesas e depois em tradução. Nesse período, estudei por três meses na Universidade Laval, Canadá, graças à hospedagem gratuita de uma família católica”, diz.

O homem fez ainda filosofia e teologia, além de mestrado em ciência da informação – a dissertação foi premiada em um concurso na Argentina. Ele chegou a ser admitido para o curso anual da Scuola Vaticana di Paleografia, mas não pôde fazer porque não foi liberado pela direção do STJ.

Depois, o ex-vendedor de cocadas fez doutorado em literatura e práticas sociais. Os estudos o levaram a se aprofundar na obra de Michel Foucault e o estimularam a se preocupar em ser mais humanista e culto.

“Defendo que todo bibliotecário é, fundamentalmente, um intelectual, ou seja, como disse Foucault, um sujeito que tem por papel ‘mudar algo no espírito das pessoas’. Um bibliotecário letárgico é, portanto, um engodo, um desserviço à sociedade”, afirma Santos.

A tese dele virou livro e aborda a representação de padres e beatas na literatura. “Na obra, discuto as razões pelas quais a literatura do país representa os personagens religiosos de forma caricata, sempre associados ao atraso moral e econômico. ‘Devotos e Devassos’ acaba de ser indicado para o Prêmio Jabuti em duas categorias: melhor crítica literária e melhor capa.” leia a matéria em sua íntegra



terça-feira, 14 de abril de 2015

BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

Interessante artigo compartilhado neste blog. 


Define-se Biblioteconomia, no seu sentido restrito, como a área que realiza a organização, gestão e disponibilização de acervos de bibliotecas, e a Bibliografia como a atividade de geração de produtos que indicam os conteúdos dos documentos, independente dos espaços institucionais em que estes se encontrem.



A Ciência da Informação tem suas raízes na bifurcação da Documentação/Bibliografia e da Recuperação da Informação (Information Retrieval). É uma ciência social cujo objeto é a informação, tendo início no campo da informação científica e tecnológica, passando a atuar também com a informação para fins educacionais, sociais e culturais. Apresenta interfaces com a Biblioteconomia, Ciência da Computação, Ciência Cognitiva, Sociologia da Ciência e Comunicação, entre outras áreas.
Outras abordagens sobre a constituição da Ciência da Informação incluem ainda áreas do conhecimento como a Administração, que busca fornecer formas otimizadas para a operação do fluxo da informação registrada, e a Editoração, na produção de documentos impressos e eletrônicos. Também podem ser citadas a Lingüística, Lógica, Psicologia, Estatística e Economia.
Considera-se que a Biblioteconomia deu origem à Bibliografia, que fundamentou a Documentação, que por sua vez, forneceu insumos à constituição da Ciência da Informação, também nomeada Informatologia. A Ciência da Informação é entendida como a preocupação com a unidade fundamental do saber, através de estudos interdisciplinares e de métodos como o estrutural. Engloba o conjunto das disciplinas voltadas para a produção, comunicação e consumo da informação que, chamadas por isso de ciências da informação, passaram a ser consideradas como uma só ciência da informação.
Dentre as abordagens mais consistentes sobre Ciência da Informação está a de Saracevic. Teórico de produção relevante no campo da Comunicação, considera o objeto da Ciência da Informação como o comportamento, as propriedades e os efeitos da informação em todas as suas facetas, tanto quanto os vários processos da comunicação que afetam e são afetados pelo homem. A Ciência da Informação estuda: (1) a dinâmica e a estática do conhecimento, ou seja, suas fontes, organização, criação, dispersão, distribuição, utilização, expressão bibliográfica e obsolescência; (2) os aspectos comunicacionais relacionados ao homem enquanto produtor e usuário de informação; (3) os problemas da representação simbólica da informação como na classificação e indexação; e, por extensão, (4) o funcionamento de sistemas de informação como as bibliotecas e os serviços de armazenagem, recuperação e processamento de dados (Saracevic citado por Enciclopédia Mirador Internacional, 1994, p. 6115).
Conclui-se que a Biblioteconomia, a Documentação e a Ciência da Informação são áreas que se relacionam conceitual e historicamente.
A Biblioteconomia tem origem efetiva na atividade de preservação das unidades do conhecimento registrado, alterando-se com o tempo por meio da democratização do acesso à educação e à cultura em atividade de gestão de serviços de biblioteca, porém sem constituir área cientificamente fundamentada no seu todo. É marcada pela intensa disseminação de seus equipamentos físicos, as bibliotecas, muitas das quais estabeleceram redes cooperativas de catalogação, cujos laços são essencialmente produtivos e formais, mas não estabelecidos com base na informação e seu contexto de produção e uso.
A Documentação, uma dissidência da anterior mas também componente dela, caracteriza-se pelo tratamento do conteúdo dos documentos, pela diversidade dos tipos de registros de informação com que trabalha e pelo uso otimizado das inovações tecnológicas em seus processos. Mesmo que críticas possam ser feitas, por exemplo, à limitada perspectiva comunicacional efetivada pelos antigos centros de documentação, seus preceitos baseiam-se na contextualização institucional e de público como critérios para a definição dos processos e serviços. Desenvolveu técnicas mais amplamente aplicáveis e atingiu significativo grau de sistematização de seus princípios e modelos. Deu insumo à Ciência da Informação que, entendida como ciência pós-moderna, portanto interdisciplinar e sem vinculação a paradigma único, reflete a mudança instaurada no século XX pela comunicação, pela tecnologia eletrônica e pelos fluxos de informação.
Finalmente, sendo a Biblioteconomia, a atividade mais antiga de organização de documentos, encontra na Ciência da Informação a possibilidade de construção de referenciais teóricos e de conquista de status científico, enquanto esta encontra naquela parte da história e das práticas que compõem aquilo que vem elaborando a partir de diversas disciplinas e aplicações. Já a Documentação, considerada em separado da Biblioteconomia, desenvolveu princípios e técnicas voltadas à organização e recuperação da informação, independente dos suportes e tipos documentais e com base nos contextos de aplicação e tipos de informação. Neste sentido, os princípios documentários permitem à Biblioteconomia maior abstração e adequação na elaboração de seus processos e serviços, e fornecem à Ciência da Informação insumos para uma construção científica sólida, ao conduzir a um foco ou núcleo de referência para a alocação integrada das demais disciplinas e aplicações.
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http://portaldobibliotecario.com/2015/04/14/relacoes-historicas-entre-biblioteconomia-documentacao/

sexta-feira, 3 de abril de 2015

ÁLBUM DE ARARAQUARA 1948


UM ACRÓSTICO A ARARAQUARA







Altiva, a natureza a colocara
Risonha, feliz, cheia de luz
A encantadora Araraquara...
Rapsódia que encanta que seduz!
A ti se curva tradições gloriosas,
Quimeras de luzes cor de rosas
Ungida o teu porte de beleza!...
A ti, todos são gratos - te confesso -,
Rezando sempre teu progresso
Araraquara... Misteriosa Princesa! 

Nelson Martins de Almeida
                                                                                         clique sobre a imagem 



A elaboração de um trabalho dessa natureza, geralmente denominado “álbum” ou “almanaque”, que era muito comum no passado ( muito embora Araraquara só tenha editado dois, este e aquele de 1.915) objetivava traçar um retrato do momento de sua edição, no que diz respeito às autoridades constituídas, vida política, produção rural, comercial e industrial. Era comum também reviver a história, publicar crônicas, poemas, acrósticos, refletindo a evolução cultural. Este álbum de 1.948 não foge à regra e, assim, apresenta um quadro bastante completo e favorável dessa Araraquara de meados do século XX. 

AUTOR: Nelson Martins de Almeida , redator-produtor do “Álbum de Araraquara”, edição de 1.948, nasceu a 19 de março de 1918, em Araras-SP, na Fazenda Campo Alto, sendo criado em S.Paulo, onde estudou comércio, publicidade, taquigrafia e jornalismo. Aos 19 anos, prestou serviço militar na Aeronáutica, no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro, saindo em outubro de 1938. Foi taquígrafo da Associação Paulista de Medicina e trabalhou em outras empresas. Organizou e publicou várias revistas de engenharia e arquitetura. Chegou a Araraquara em julho de 1.947, com plano de estudar e escrever o histórico da cidade.


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ver: nelsonmartinsdealmeida.blogspot.com.br


sexta-feira, 27 de março de 2015

LAO TSÉ BIBLIOTECÁRIO?




Lao Tsé: “Lao” significa criança; “Tsé”, velho, maduro, sábio. Nascido na China no final do século VII a. C., diz-se que seria oficial da dinastia Zhou encarregado de compilar documentos históricos.
Outras fontes relatam que ele teria sido contemporâneo de Confúcio considerado outro grande mestre da filosofia chinesa. E os dois teriam se encontrado quando Lao Tsé trabalhava como arquivista, ou compilador de documentos, na Biblioteca Imperial da dinastia Zhou. De acordo com essas histórias, eles discutiram durante meses e Lao Tsé teria influenciado o pensamento confucionista.
Diante do deterioramento da situação pública chinesa, a perda de poder da dinastia Zhou, Lao Tsé decidiu retirar-se da China cavalgando um búfalo preto e, no desfiladeiro Han Gu, o guarda da fronteira desejou que aquele sábio não saísse da China sem antes deixar algo escrito: até então, eles eram divulgados apenas com a palavra falada. Naquela ocasião, Lao Tsé teria escrito o Tao-te King, cujo título é traduzido por “O livro do caminho e da virtude” ou “Livro clássico do sentido e da vida”. Depois disso, Lao Tsé teria ido em direção ao oeste e não voltou a ser registrada a sua aparição.
Tao-te King, é considerada a obra basilar da filosofia taoísta, e um dos livros mais traduzidos, juntamente com a bíblia. O taoísmo clássico inspirou um movimento intelectual chamado xuanxue (aprendendo com o misterioso), que dominou a elite chinesa e a alta cultura dos séculos 3 ao 6 de nossa era. Dessa forma, Lao Tsé influenciou não apenas o pensamento filosófico, mas a literatura, a caligrafia, a pintura, a música chinesas.

A imagem de Lao Tsé, foi retirada da coluna Ser e Ter da revistaPerformance Líder e trata-se de um recorte da obra de E. Montariello, exposto na Biblioteca Humanitas – na qual também sou bibliotecária!
Fonte: 

  • https://www.facebook.com/biblioteconomia?fref=ts - Bibliotecários sem Fronteiras - Facebook 


  • http://bsf.org.br/2015/03/25/lao-tse-bibliotecario/ - 



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Captura de imagens, montagem e inserção neste Blog 
por Inajá Martins de Almeida em 27/03/2015 

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terça-feira, 17 de março de 2015

INEZITA BARROSO A BIBLIOTECÁRIA MAIS FAMOSA DO BRASIL



by Eduardo 

A bibliotecária, cantora, atriz e instrumentista Inezita Barroso faleceu no dia 9/3/15, vítima de insuficiência respiratória aguda.
Reproduzo, abaixo, o texto da Wikipedia da bibliotecária mais famosa do Brasil que com certeza, graças à Biblioteconomia, pode catalogar, reunir e servir de memória à música de raiz. Belíssimo exemplo da função social do bibliotecário!

Nascida numa família abastada7 e apaixonada pela cultura e, principalmente, pela música brasileira, Inezita começou a cantar e tocar violão e viola desde pequena, com sete anos. Estudiosa, matriculou-se no conservatório e aprendeu piano

Foi aluna da primeira turma da graduação em Biblioteconomia da Universidade de São Paulo (USP)4 , formando-se antes de se tornar cantora profissional8 .

https://mundobibliotecario.wordpress.com/2015/03/10/nota-de-falecimento-bibliotecaria-inezita-barroso/

sábado, 16 de agosto de 2014

O PODER DE TRANSFORMAÇÃO ATRAVÉS DA LEITURA

Em 2006, quando então coordenadora do projeto Biblioteca dentro da Secretaria da Cultura de Ribeirão Preto, veio-me a lume o ensejo de escrever um texto sobre o Ato de Ler.

Explorado por Paulo Freire, a ele quis dedicar o título, sabedora, entretanto outros tantos não menos significativos.

Assim, inicio de uma forma que a mim pareceu inusitada:

"Dê-me uma meada de lã e eu teço um agasalho"
- Digo isso pois acostumara-me às lãs; família de artesã a qual me encaminhara os passos.

"Dê-me uma palavra e eu formulo uma frase"  
- As linhas não tardariam a me envolver. A "Caminho Suave" levava-me às letras, numa jornada entre sonhos e realizações. Encantavam-me as palavras. Compor frases logo viriam deleitar minha infância que já se me abria leque ao gosto pela leitura e escrita.

"Dê-me uma frase e eu escrevo um texto"
- As frases, cuidadosamente selecionadas, ornamentavam diários e cadernos. Assim, decorridos os anos, não fora complicado a composição de textos. Era a leitura que impunha desejo ardente de transmissão da informação. Questões abrangentes. Críticas embasadas em leituras inúmeras. Textos disseminados através da "galáxia internet". Agora a informação se apresentava em tempo real. Ademais, para o que se propunha o texto - uma análise simples sobre o ato de ler.

"Dê-me um texto e eu componho um livro"
- Assim,  esta última frase ainda está por se concretizar, muito embora, textos inúmeros já estejam aptos à editoração.

Sim. O texto fora composto. Incentivado pelo professor Jayme Pinski a que se editasse através do site Amigos do Livro, ideia prontamente acatada em maio de 2006 [acesse]. Em agosto do mesmo ano o texto é encontrado pela equipe Cesgranrio, responsável pela confeccção das provas ENEM, quando o torna conhecido através de grande parte de jovens pré vestibulandos.


Assim, fora o texto indicado como motivo para a dissertação daquele ano. 

Posteriormente a Revista Leitura - ALBS - NE (Associação Internacional de Leitura Conselho Brasil Sul - Regional do noroeste do Estado do Rio Grande do Sul) - Editora UNIJUI, por intermédio de sua presidente [ maio  2007 ] Adriana Kemp Maas, editora o texto em tela, encaminhando ofício sobre a publicação na revista, após tramitações positivas e grata aceitação por parte da autora.



Decorridos os anos, outros tantos textos são compostos e incorporados aos sites hospedeiros. Visualizados podem ser encontrados e incorporados a trabalhos inúmeros, os quais gradativamente resgatados pela autora, que sente nessa modalidade de pesquisa o prazer de ser perceber influenciando através da leitura e da escrita.

Esse é o papel central da leitura: - transformar. Ainda que em pequena escala, percebe-se a satisfação da criação do texto motivador, inspirador, disseminador.


I - REFERÊNCIAS


1) CURSOS ACADÊMICOS

1.1) MESTRADO

1.1.1- Ana Claudia Ramos



Torna-se imprescindível criar o hábito da leitura, uma vez que esta, hoje, pode ser vista como artigo de primeira necessidade, [...], é mister que cada indivíduo desperte dentro de si o interesse em auto instruir-se, para descobrir a força da palavra.
           Inajá Martins de Almeida


FONTE: acesse












1.2 - MONOGRAFIA

1.2.1- Mayara Cristóvão da Silva





FOTE: acesse


2) LIVROS /  APOSTILAS / MANUAIS / CADERNOS

2.1 LIVRO  "Tempos modernos, tempos de sociologia", faz menção ao poder transformador da leitura e retomam a indicação do ENEM 2006, quando o texto é colocado a público vários





2.2 - APOSTILA  


FONTE - acesse


2.3 - MANUAL REDAÇÃO

2.3.1 - Redação - EJA - Fundação Bradesco



FONTE: acesse

2.3.2 - Curso de Redação profª Sonia Targa



FONTE: acesse


3- REVISTAS ESPECIALIZADAS



"Contabilizam-se as perdas, pois ao que parece, são elas que mais contribuem para novos ganhos".
    Inajá Martins de Almeida

FONTE: acesse













4) SEMINÁRIOS

4.1 - XVI SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CCSA ISSN 1808 - 6381

FORMAÇÃO DO LEITOR NA PERSPECTIVA DE UMA BIBLIOTECA ESCOLAR IDEAL


"O que é então o ato de ler senão tomar posse do  texto, do livro. Livro que nos fala por meio das palavras. Palavras que vão tomando forma e cor, aos olhos atentos do leitor. Palavras que podem descobrir as vozes dos enredos, as cenas que desfilam através das entrelinhas do texto".


Inajá Martins de Almeida





 FONTE: acesse





5 - COMENTÁRIOS



5.1 - ANA LÚCIA SANTANA, comentários para a Revista Info Escola faz comentários sobre o tema ENEM 2006, em que figuram três textos, sendo um de Inajá Martins de Almeida


Por Ana Lúcia Santana

Sem dúvida não há melhor estímulo à leitura do que transformar o ato de ler em protagonista de uma redação do Enem. Não há algo mais mágico e motivador do que um livro; e isso fica claro no fragmento extraído do site www.amigosdolivro.com.br. É uma iniciativa muito positiva revelar esta face da leitura, não como algo obrigatório que garantirá notas ou pontos, mas sim enquanto um universo fantástico no qual o leitor mergulha e se transporta para outros mundos.
Porém os examinadores não se limitam a focar na questão da leitura; eles pedem que os alunos reflitam sobre o poder transformador de um livro. No artigo O Ato de Ler, de Inajá Martins de Almeida, fica claro que nossa leitura do mundo passa necessariamente pelo domínio da palavra. A autora enfatiza que não há como desvincular um elemento do outro.
Desde cedo, mesmo quando não sabemos ainda ler palavras, somos capazes de ler o mundo, por meio de ícones visuais e sonoros. Portanto, o ato de ler está sempre presente em nossas vidas. E essa ação, incluindo a interação entre o real e o imaginário, torna o ser mais rico em conhecimentos, valores e experiências.
Deste ponto de vista, é possível comparar a vida sem os tesouros e universos mágicos que a leitura nos traz, com essa possibilidade de viajar por outras dimensões, só com o mergulho nas páginas de um livro. E também leva o estudante a pensar sobre o quanto essas jornadas por universos fantásticos podem transformar o leitor e lhe dar recursos para modificar o mundo a sua volta.
A inclusão do testemunho do escritor Moacyr Scliar, em uma entrevista à Revista TAM Magazine, prova que, independente das condições financeiras de uma pessoa ou até de uma família, ela é capaz de transcender esse contexto e, mesmo assim, ter acesso à leitura. É tocante a passagem na qual ele conta que em sua casa muitas vezes não tinham os móveis e as roupas necessárias, mas nunca faltava um livro. Sua conclusão é brilhante: um escritor é, acima de tudo, um leitor.
Mas nem todo leitor precisa ser um escritor. As pessoas leem para aprimorar sua capacidade intelectual, se desenvolver emocional e espiritualmente, obter maiores conhecimentos, desbravar outras dimensões da existência. E pelo prazer de viajar por terras desconhecidas e por realidades com as quais jamais teria contato se não fosse a mediação do livro. Portanto, ler é igualmente um ato mediador, uma ponte entre a realidade e a imaginação, entre o leitor e o mundo.
Concluindo, o tema desta redação é realmente uma iniciativa brilhante. A escolha dos textos é muito sensata e oportuna. Mas o estudante deve ler atentamente os enunciados, extrair deles o essencial e não se tornar prisioneiro destes subsídios oferecidos pelos examinadores. O mais importante é ele tecer sua própria reflexão, a partir das vivências pessoais e de sua experiência com a leitura.



Fonte :  http://www.infoescola.com/redacao/proposta-de-redacao-do-enem-2006-comentada/


5.2 - CAMILA DALLA POZZA PEREIRA comentários para o ENEM

Olá, leitores!
Dando continuidade à série de publicações acerca das propostas de redação dos ENEMs anteriores, hoje analisaremos o tema da prova de produção textual do ENEM 2006: O poder de transformação da leitura. Trata-se de um tema de cunho educacional e, assim, também social, pois sabemos que, infelizmente, a questão da educação brasileira é complexa, pois enfrenta vários desafios, inúmeras ordens e a leitura tem um papel muito importante neste cenário, já que através dela e da escrita nos alfabetizamos e nos tornamos cidadãos protagonistas e autônomos.
Este tema afirma que a leitura é transformadora, que possui o poder de mudar pessoas e, consequentemente, comunidades, organizações e até países e é este caminho que o candidato deveria tomar ao redigir seu texto.
A proposta colocava-se do seguinte modo:




Todos os três textos motivadores da coletânea da proposta de redação do ENEM 2006 abordam o que a leitura é capaz de fazer em nós, leitores e em nossas vidas. O primeiro texto, de autoria de Inajá Martins de Almeida, fala a respeito da mudança de olhar que a leitura proporciona àquele que aprender a ler por meio de sua influência, já que tudo o que lemos possui significado (o signo é ideológico, portanto, nada é neutro) e isso estará presente, conscientemente ou não, ao longo de todas as nossas vidas. A autora também afirma que a leitura é uma necessidade humana porque somos curiosos, queremos desvendar mistérios, queremos questionar e que somos leitores antes mesmo de aprendermos a ler, pois desde crianças aprendemos a ler olhares, gestos, sons, imagens etc.
O segundo texto, um depoimento biográfico do escritor falecido em 2011 Moacyr Scliar, fala da importância e da prioridade necessária à leitura na infância e no convívio familiar contando que, em sua casa, faltavam móveis e roupas, mas nunca faltavam livros e, assim, corrobora a importância da influência e da motivação dos pais na leitura de seus filhos, o quanto é fundamental a família proporcionar à criança momentos de iniciação à leitura, mesmo que esta ainda não saiba ler. E, realmente, os exemplos vindos de pais, de irmãos mais velhos, primos, tios, amigos etc são imprescindíveis para que a criança assimile, desde pequena, o quanto a leitura é importante. Não adianta cobrar que seu filho leia se você não lê e aqui não nos referimos apenas aos livros, mas também a jornais, revistas de todos os tipos e tantos outros meios.
O terceiro e último texto aborda o quanto a leitura pode nos fazer viajar através da nossa imaginação, já que nos mostra universos diferentes, as mais variadas histórias, os mais diversos personagens, com seus segredos e fantasias. Este texto trata, mais especificamente, dos livros de ficção, biográficos, ou seja, com histórias mais voltadas ao entretenimento e afirma que, por poucos reais, podemos nos transportar para estes universos e sairmos mais ricos do que entramos e esta questão do preço do livro, no Brasil, pode ser uma brecha para a elaboração da proposta de intervenção social, já que todos sabemos que há uma incidência muito grande de impostos nos valores dos livros vendidos aqui, o que os encarece e, assim, dificulta o acesso, principalmente da camada mais pobre da população, a eles.
Mas, além do preço, podemos discutir outras questões acerca da leitura no nosso país, já que sabe-se que o brasileiro lê pouco em comparação aos leitores de outros países. O brasileiro não possui muito o hábito de ler e isto deve ser transformado através da própria leitura, antes mesmo ou ao mesmo tempo do governo diminuir a taxação de livros no Brasil. Há pessoas que reclamam que livros são caros, mas não se importam de pagar o mesmo valor ou até mais em outro item; o problema é, realmente, o preço do livro ou as prioridades destas pessoas? Livros são caros, mas e as bibliotecas públicas, por exemplo? Por que não frequentá-las? Temos também os sebos, as bibliotecas escolares…
Falando em escola, esta, juntamente com as famílias, tem papel fundamental na formação de leitores, já que é nela em que as crianças são alfabetizadas e passam mais de dez anos de suas vidas. Os professores são leitores? A obrigatoriedade das leituras é positiva? Como escola, aliada aos pais, podem incentivar, motivar e influência que crianças e jovens tornem-se leitores proficientes? Projetos que busquem responder a esta pergunta são, certamente, ótimas opções para uma proposta de intervenção social.
O candidato pode basear todo o seu texto na diferença que a leitura pode fazer na vida das pessoas, socialmente e profissionalmente, já que ler não é importante apenas na escola, mas sim para toda a vida, já que lemos todos os dias, em todos os lugares, em inúmeras situações. Ler e escrever vão além do vestibular e do ENEM; na faculdade vocês, leitores, terão de ler, e muito, e terão de aprender a ler gêneros não lidos antes por vocês (artigos acadêmicos, resenhas, dissertações de mestrado, teses, relatórios etc), ou seja, estamos sempre aprendendo a ler e a escrever.
Na próxima semana, analisaremos o tema da redação do ENEM 2007: O desafio de se conviver com a diferença. 
Vocês podem acessar a prova em 
Boa semana e bons estudos!


*CAMILA DALLA POZZA PEREIRA é graduada em Letras/Português pela UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP – Atua na área de Educação exercendo funções relativas ao ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Foi corretora de redação na 1ª fase e de Língua Portuguesa na 2ª fase do vestibular 2013 da UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP. Participou de avaliações e produções de diversos materiais didáticos, inclusive prestando serviço ao Ministério da Educação.
**Camila também é colunista semanal sobre redação do infoEnem. Um orgulho para nosso portal e um presente para nossos leitores! Suas publicações serão sempre às quintas-feiras, não percam!

Fonte:   http://www.infoenem.com.br/analise-de-tema-de-redacao-enem-2006/


terça-feira, 24 de junho de 2014

EDSON NERY DA FONSECA

Bibliotecário e professor universitário, especialista na obra de Gilberto Freyre, deixa o cenário da Biblioteconomia aos 92 anos.

TRAJETÓRIA
Edson Nery da Fonseca ingressou na Faculdade de Direito do Recife, mas interrompeu o curso para servir o Exército. Somente alguns anos depois, em 1946, se formaria no curso fundamental de biblioteconomia oferecido pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Ainda na década de 1940, atuou como jornalista literário no Diario de Pernambuco.
Posteriormente, participou da fundação da Universidade de Brasília e de vários cursos de graduação e pós-graduação em biblioteconomia, inclusive no Recife. Aqui ele instalou o primeiro curso de biblioteconomia do Nordeste. Em outros estados, atuou na organização de acervos de inúmeras instituições.

http://mundobibliotecario.wordpress.com/2014/06/23/morre-em-olinda-o-pesquisador-edson-nery-da-fonseca/

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

ASSOCIAÇÃO PROFISSIONAL DOS BIBLIOTECÁRIOS DO ESTADO DE SÃO PAULO - APBESP


Encontrei a matéria no Facebook e agora compartilho. 
Muito interessante. Precisamos realmente resgatar histórias. Fazemos parte dela. Quantas as temos. Quantas necessitamos. Obrigada colega e amigo bibliotecário.
 

por Oswaldo F.Almeida Junior


No dia 11 de novembro de 1979 fundávamos o pré-sindicato de Bibliotecários do Estado de São Paulo. 

Período de ditadura, exigia-se que se criasse uma Associação Profissional (na verdade um pré-sindicato) para, depois de atendidos inúmeros itens, que se outorga-se a carta sindical. 

Durante quase um ano tentamos – e conseguimos – mobilizar os bibliotecários paulistas, em especial os paulistanos, nesse objetivo. 

Em uma manhã chuvosa de domingo, reunimos mais de 100 bibliotecários em uma das salas do Teatro Ruth Escobar. 

Saímos de lá com uma comissão montada e em 11 de novembro criamos a APBESP – Associação Profissional dos Bibliotecários do Estado de São Paulo. 

Fui indicado para presidir a comissão inicial e, depois, como presidente da primeira diretoria da Associação. 

Os documentos que enviávamos para a DRT – Delegacia Regional do Trabalho – de São Paulo eram quase sempre devolvidos com indicações de erros ou com mais exigências. 

Lembro que conseguimos assinaturas de adesão de vários bibliotecários do interior (necessário para que a abrangência do futuro sindicato fosse estadual), mas a DRT sempre alegava que o número não era suficiente. Só em 1985 foi possível conseguir a carta sindical e fundar o SINBIESP. 

Pena que a área pouco se preocupa com sua história ou com preservar a memória do que ocorreu. Até mesmo o SINBIESP, em seu site, esquece a luta que muitos bibliotecários tiveram para criar o primeiro sindicato do Brasil.


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

PROFISSÃO BIBLIOTECÁRIO - 9ª menos estressante

Todo ano, o site americano CareerCast.com publica sua lista com as profissões mais e menos estressantes. O ranking de 2013 foi divulgado recentemente. A carreira com menos estresse é a de professor universitário, enquanto a lista das profissões mais estressantes é encabeçada pelos militares. Vale lembrar que, como a lista é elaborada nos Estados Unidos, pode haver alguma diferença entre as condições e os ambientes de trabalho lá e cá, assim como nas remunerações. Confira o ranking abaixo. ...


9º | Bibliotecário: a atmosfera calma e o acesso ilimitado à literatura faz com que os bibliotecários tenham uma carreira atraente, de acordo com o CareerCast. Eles têm possibilidade de seguir carreira em escolas, universidades, bibliotecas municipais e em pesquisa corporativa. Nos Estados Unidos, os ganhos giram em torno de R$ 111 mil por ano.

acompanhe toda a matéria em...

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

ANOTAÇÕES DE RABISCO




Montagem de Inajá Martins de Almeida sobre os comentários do Editor João Scortecci encontrados no facebook 

sábado, 5 de outubro de 2013

O PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO, AS CINCO LEIS DA BIBLIOTECONOMIA E O PROGRAMA RIBEIRÃO DAS LETRAS


 Por Inajá Martins de Almeida

Durante a 3ª Feira do Livro da cidade de Ribeirão Preto – agosto de 2002 – quando então Coordenadora do Projeto Bibliotecas do Programa Ribeirão das Letras da Secretaria da Cultura, deparei-me com uma pergunta que me fez repensar sobre meu papel dentro da Biblioteconomia.
Num dos estandes, uma das livreiras, questionando minha paixão pelos livros, perguntou-me o porquê haver escolhido tal profissão, dado o entusiasmo com que desempenhava as atribuições que me foram conferidas e a familiaridade com que tratava o livro.

Parei um momento; jamais pensara nisso – era-me natural estar entre livros – porém, mesmo tomada de sobressalto, rapidamente respondi-lhe, formulando um conceito que passei a incorporar em meu currículo:

– Em primeiro lugar, tornei-me Bibliotecária, por opção – sim opção – porque pensara seguir a área da advocacia, entretanto, por falta de opção de escola em minha cidade, e pela dificuldade em ausentar-me dela, optei pela Biblioteconomia e Documentação; em segundo lugar por paixão – pois não fora difícil apaixonar-me pelas aulas de literatura, história do livro, cultura artística e científica e tantas outras, magistralmente ministradas pela drª e profª Carminda Nogueira de Castro Ferreira – Dona Carminda como carinhosamente a tratávamos – assim como pelas inúmeras matérias técnicas, catalogação, classificação, referência e seleção bibliográfica, entre outras; em terceiro e último, por convicção – sim convicção – posto que decorridos os anos, já não pudera mais optar por outra formação a não ser a de Bibliotecária.

Estava convicta de que optara pela profissão certa. A advocacia entraria em minha vida sob formas várias – nas organizações de bibliotecas, nas assessorias junto a advogados, nas empresas que atuava – e não me motivaram a querer agregar mais uma formação; queria sim desbravar mais e mais o universo da Biblioteconomia, e o faço até hoje.

Ah! Os livros - desde cedo acostumei-me aos livros (ALMEIDA, 1) – amava-os – eles me desvendavam horizontes inimagináveis; proporcionavam-me quebrar barreiras, abrir portas, aprender, criar, deslumbrar, vibrar.

Eles – os livros – levavam-me mais longe ainda; agora eu podia tê-los, em grandes quantidades, nas mãos. Era-me dado o direito de passear através dos seus conteúdos; conhecê-los, estudá-los, transformá-los numa linguagem informacional, para, então colocá-los nas mãos dos leitores, seus usuários.

Ah! Que prazer senti-los bem perto, conhecer seus autores, seus editores; percorrer seus prefácios e sumários, ler suas orelhas, valer-me de ferramentas técnicas para as transformar em informação. Sim, tudo isso me dá prazer incalculável; leva-me a desafios inimagináveis; aguça mais e mais meu senso crítico - este é o mundo mágico da leitura.
A partir de então, a quem me questiona sobre minha formação, esclareço que fora a opção, a paixão e a convicção que me motivaram a atuar na área da Biblioteconomia e auferir de benéficos prazeres no desenvolvimento do trabalho; mais ainda, o contato com os livros, com seus escritores, levaram-me a ensaiar textos, criar falas, contar histórias – a leitura me levou ao gosto pela escrita, quando então, movida por inspiração de poeta, passo a declinar: – “Dê-me uma meada de lã e eu teço um agasalho; dê-me uma palavra e eu formulo uma frase; dê-me uma frase e eu escrevo um texto; dê-me um texto e eu componho um livro”. (ALMEIDA, 2)
A partir desse momento, o texto - O ato de ler – passa a fluir solto, permeando falas, conceitos vários, compilações de leituras diversas, adaptadas no discorrer do verbo. Pude então depreender que “todo escritor é antes de tudo um leitor”, como nos exorta o acadêmico Moacyr Scliar (SCLIAR), e que "a leitura torna o homem completo; a conversação torna-o ágil e o escrever dá-lhe precisão" segundo Francis Bacon.
Nessa jornada – entre livros – passei por diversos tipos de bibliotecas tanto particulares, quanto de empresas pequenas e grandes, assim como escolares desde a infantil, juvenil a universitárias. Universos que se descortinaram à minha frente, para me fornecerem subsídios nos diversos saberes do conhecimento humano.
Além do mais, minha formação em Biblioteconomia possibilitou-me participar da implantação de bibliotecas, dentro do Programa Ribeirão das Letras, promovido pela Secretaria da Cultura da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, num período de trinta meses, que, embora célere, transformou minha vida profissional – abriu-me novas perspectivas no grande leque da palavra e do saber.
Projeto ousado, cujo idealizador o Jornalista, Professor, então Secretário da Cultura da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, Galeno Amorim, vislumbrava a implantação de 80 bibliotecas em locais onde se fazia necessário, dado a precariedade de acesso a livros, leitura e informação. A mim, como coordenadora de bibliotecas, competia desenvolver projetos ligados à contratação e capacitação de estagiários, estímulo e incentivo a leitura e, principalmente, a abertura de bibliotecas.
Nesse momento, voltava ao passado e rememorava minhas aulas de referência bibliográfica, na então Escola de Biblioteconomia e Documentação de São Carlos (atual UFSCAR), no início da década de 70, quando nos era apresentado um personagem ilustre que marcou seu tempo, ao abrir bibliotecas e formular a célebre teoria sobre as Cinco Leis da Biblioteconomia: Shialy Ramamrita Ranganathan.
Pude então perceber que:
“O que foi é o que há de ser; e o que se fêz, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós. Já não há lembrança das coisas que precederam; e das coisas posteriores também não haverá memória entre os que hão de vir depois delas”. (ECLESIASTES)
Assim como nada é novo, criar bibliotecas, voltar-se para o papel da leitura na formação do cidadão(ALMEIDA, 3), já fazia parte dos anseios de Ranganathan, quando, preocupado com o ensino e pesquisa em seu país, promove campanha para melhorar a biblioteca da Universidade de Madras – Índia – onde se formara em 1916 e fora professor. Essa ocorrência, contudo, iria mudar o curso de sua vida, assim como da Biblioteconomia em si.
Semelhantemente a esse fato, os quatro anos – 2000 à 2004 – serviriam também para transformar o ritmo de uma cidade interiorana de porte médio – Ribeirão Preto.
Foi um momento “efervescente”, segundo Galeno Amorim, onde se falava em livros e bibliotecas, na mesma proporção em que projetos culturais se desenvolviam nos quatro cantos do município.
Música, dança, teatro, ônibus biblioteca circulando, levando consigo além dos livros, atividades de contação de histórias, incentivo a prática artística várias, elaboração de textos; escritores que se apresentavam em escolas, proporcionando o clímax nas crianças, ao verem-nos saírem das páginas e se apresentarem em carne e osso; cafés filosóficos com personagens e temas polêmicos (o ponto mais marcante, na minha concepção, foi a presença do saudoso Waly Salomão, com sua fala autêntica, desmistificada, irreverente) enfim, vivia-se a leitura em suas diversas formas.
Marcos de Moura e Souza noticia: – “projeto multiplica número de livros em Ribeirão e muda o padrão de leitura da população”(SOUZA); este era o Programa Ribeirão das Letras.
Se o curso da vida de Ranganathan, a partir desse momento, tomaria outros rumos, não fora diferente para Galeno Amorim, tampouco para mim; aquele, alça então vôo alto, como só as águias podem fazê-lo; eu, juntamente com alguns incentivadores da leitura, montamos a ONG Educare est Vita, volto ao cenário das bibliotecas, agora como monitora, além do que descubro um lado até então encoberto – o da escrita – momento em que passo a escrever textos sobre leituras e bibliotecas; vez ou outra disponibilizo em sites vários através da internet.
Estímulo maior ainda, passo a ter, quanto então vejo meu texto “O Ato de Ler”, publicado no www.amigosdolivro.como.br, ser indicado como tema motivador para a redação “O poder da transformação da leitura”, no exame do ENEM 2006, juntamente com “O poder das letras” de Moacyr Scliar, mais ainda, quando a Revista o publica em sua edição comemorativa.
Ranganathan, entretanto, em Londres, vai obter sua formação em Biblioteconomia, quando se depara com W. C. Berwick Sayers – um dos seus professores – que logo percebe seu potencial criativo e o incentiva ao campo investigativo, posto que, dizia ser a Biblioteconomia "uma área que possuia como peculiaridade a criação; o que aprendemos na Universidade e nos livros são somente os princípios". (CAMPOS)
Acatando as palavras do professor e incentivador sai a campo, mas logo se vê num grande questionamento:

"Não seria possível reduzir todos os agregados empíricos de práticas e informações a um punhado de princípios básicos? Não seria possível aplicar o processo de indução neste caso? Não seria possível alcançar todas as práticas conhecidas pelo processo de dedução de algum dos princípios básicos? Não contém os princípios básicos, como implicações necessárias, muitas outras práticas não correntes ou conhecidas no presente? Elas não se tornarão necessárias, como e quando mudarem as condições-limite colocadas pela sociedade?" (Ranganathan, Prolegomena) (CAMPOS)

Detentor de espírito investigativo, a partir das observações do trabalho e prática, que a Biblioteconomia proporcionava, passa a teorização, quando então desenvolve as Cinco Leis, as quais iriam nortear todo o trabalho da Biblioteconomia.
Ao encontrar-se com antigo professor de matemática, eis que relata suas ansiedades pela busca incessante de resultados e, tomado de assalto, Edward B. Ross, orienta-lhe a formular sua primeira lei “livros são para serem usados"(CAMPOS).
As outras quatro logo seriam declinadas (“a cada leitor o seu livro”, “a cada livro o seu leitor”, “poupe o tempo do leitor”). Este fato ocorreu em 1928 e em 1931 sai publicada a primeira edição do livro "As Cinco Leis da Biblioteconomia"; no mesmo ano criava-se o primeiro Curso de Biblioteconomia na Índia.
Quando pensamos nos livros como fonte de informação, logo nos vêm à mente os recursos que devemos utilizar para a satisfatória transmissão do conhecimento. Assim, registros, organização, armazenagem, preservação, devem ser pontos perceptíveis para a transmissão de conhecimento para as gerações vindouras, e o Bibliotecário se torna a ponte entre a informação e o usuário.
Entretanto, muito embora todo ser humano tenha o direito de ser leitor em potencial,  Ranganathan bem sabia que nem todos poderiam ter acesso à informação, pelo simples fato de a desconhecerem, assim, tornava-se imperioso que meios fossem disponibilizados para que o usuário chegasse ao conhecimento.
Se naquela época esse fato era marcante, nos dias atuais não vemos tanta diferença; muito embora vivamos em plena era da informação, tanto na Índia, quanto no Brasil e em inúmeras localidades do mundo – ainda que globalizado – muitos, jamais pisaram uma biblioteca, outros, sequer viram um livro em sua frente. Esta ainda é nossa realidade. Portanto, ter acesso a livros e bibliotecas, muitas vezes torna-se uma questão de vontade política.
Foi assim pensando, que Galeno Amorim – quem sabe, até mesmo desconhecendo Ranganathan – partiu a campo e legou à sociedade um projeto audacioso de criação de 80 bibliotecas num período de quatro anos – 2000 à 2004. 
Eu, contudo, estudara as teorias de Ranganathan e comentava com Luis Eduardo Mendes – assessor de Galeno – que me sentia como aquele Bibliotecário hindu, quando preocupado com a formação do público leitor, via-me compartilhar esse sentir e, no afã de levar conhecimento aos mais recônditos lugares, saia a campo – dado a autoridade que me fora conferida –  indicava perspectivas, buscava parceiros, abria espaço, instalava uma biblioteca – para alguns, mais exigentes, com o que podemos chamar de biblioteca, apenas uma sala de leitura.
Enfim, não importa, se bibliotecas, mini-bibliotecas, ou salas de leitura, o que importa salientar, é que elas aconteceram e, puderam trazer um novo sentido, aos ânimos de uma população, sedenta em desbravar o mundo encantado dos livros e da leitura.
Hoje, contudo, mesmo que algumas delas estejam desativadas, suas portas fechadas, a semente  lançada em solo fértil – do livro e da leitura –  jamais deixará de dar seus frutos; de minha parte, jamais tive dúvida da repercussão do grande Programa implantado, tanto que, ao voltar – agora não mais como Coordenadora, mas sim como Técnica, juntamente com outras cinco Bibliotecárias – não meço esforços para legar à população, bibliotecas informatizadas e preparadas para a pronta recuperação da informação, porque  “a educação de um povo é uma vontade política”(CAMPOS), segundo palavras do nosso personagem Ranganathan, quando a questionar nos premia com sua segunda lei.
Quando pensamos na possibilidade de que cada leitor tenha seu livro, vislumbramos o livre acesso ao conhecimento. Neste ponto o papel do Bibliotecário se torna fundamental, posto que ele passa a ser o mediador entre o leitor e a informação – entra aqui o Bibliotecário, não mais como simples técnico, mas também como educador, o qual se completa com o enunciado da 3ª lei.
Aqui o Bibliotecário, além de facilitador da informação, deverá ter plena consciência do seu papel social e de educador, fornecendo aos leitores informações adequadas às suas necessidades, respeitando suas individualidades.
Esse respeito é o que propõe Ranganathan quando menciona os diversos tipos de usuários, assim como diferentes bibliotecas e formas de organização do acervo. 
Mais uma vez me deparei com semelhanças no Projeto Bibliotecas do Programa Ribeirão das Letras – diferentes tipos de bibliotecas para diferentes grupos de pessoas: bibliotecas escolares, de entidades de classe, de filantropia, de sindicatos. Uma voltada a cegos, com acervo em braile, outra voltada a teatro, com peças e literatura da área, outra dando ênfase maior a literatura infantil, e assim por diante.
Aos poucos, cada biblioteca ganha cara própria”(SOUZA), noticia então a imprensa. Embora possuidoras de acervo básico, comum a todas, nas peculiaridades individualizava-se, enquadrando-se nitidamente na 3ª lei de Ranganathan que, levada à lume nos idos 1931, parecia-me atual nos primórdios do século XXI.
Estava eu experimentando e vivenciando o mesmo que Ranganathan em sua época.
A organização, contudo, iria assegurar a 4ª lei, uma vez que biblioteca não se caracteriza por ser depósito de livros e sim um ambiente vivo e vibrante, onde pulsa o conhecimento.
Agora a preocupação de Ranganathan era disponibilizar veículos adequados para que a informação estivesse nas mãos dos usuários, em tempo oportuno.
Técnicas deveriam ser utilizadas pelo Bibliotecário, no intuito de dinamizar e agilizar a recuperação da informação para o leitor.
Embasada na adaptação e criação de métodos estabelecidos, não dispondo – ainda – de recursos informacionais, incorporamos a fala de Ranganathan e a introduzimos ao Projeto Bibliotecas do Programa Ribeirão das Letras, nesse primeiro momento, posto que, segundo Galeno, “ou criávamos as bibliotecas para depois prepará-las tecnicamente, ou não as criávamos: optamos, então, por criá-las”.
Após essa fala, clara e objetiva, como Bibliotecária, assumindo a Coordenadoria do Projeto, percebi que o desafio, que se descortinava, iria abalar a sociedade e repercutir fora das quatro paredes do município. Realmente o Projeto ganhou projeção nacional e na América Latina, mesmo com as falhas naturais de um grande Programa de implantação de bibliotecas.  
Ranganathan incentivava então o Bibliotecário a não aceitar simplesmente ser um disseminador de informação, com profundos conhecimentos técnicos, mas, sobretudo, valer-se de novos métodos e instrumentos, para levar essa mesma informação ao usuário.
Se Ranganathan objetivava tal conduta – tal prática – lá estavam as bibliotecas do Programa Ribeirão das Letras, sendo tratadas sob diversos aspectos, levando informação à comunidade, assim como lá estava eu, apoiando e incentivando esses espaços que, agora, eram reais – haviam saído do papel; ganhavam vida, claro, sob o aval de Galeno Amorim.

José Mindlin, numa de suas visitas à nossas bibliotecas dizia que para ele o importante era ter acesso à informação e ao livro, não se preocupando com as regras rígidas da Biblioteconomia, não que essas não fossem necessárias e facilitadoras, contudo, a posse do livro e sua leitura, tinha maior significado. Apoiava completamente o trabalho que estava sendo desenvolvido.

Assim, mais um grande homem dos livros – o maior bibliófilo e acadêmico brasileiro – preocupava-se com o destino dos livros – claro, nas mãos dos usuários – do que propriamente com a técnica dispensada para colocá-los em suas mãos.
Hoje, bem sabemos que dispomos de recursos informacionais de ponta, onde com a utilização de computadores, informações são armazenadas e recuperadas prontamente – a Internet diminui distâncias; Ranganathan, entretanto, sequer sonhava com a utilização dessa tecnologia, eu tampouco, em minha época de estudante, idos de 1970, jamais pudera supor valer-me e usufruir de tais avanços, todavia, evidenciava nesta 4ª lei, que o Bibliotecário não aceitasse métodos e técnicas estabelecidas, porém que os criasse e os adaptasse aos interesses dos usuários.
Assim, seguia o Programa que, mesmo na era da informação, da tecnologia, valia-se de recursos técnicos básicos, para não perder o objetivo e foco central – disponibilizar bibliotecas e livros aos quatro cantos da cidade.   
Ele – Ranganathan – não pode usufruir das facilidades que os meios informacionais trariam para a Biblioteconomia, eu, contudo, hoje não me vejo sem essas ferramentas, as quais se tornam imprescindíveis e indispensáveis para o desempenho do profissional Bibliotecário, na disseminação da informação.
Entretanto, mesmo que, por algum motivo ou razão, utilizemos métodos empíricos no trato das bibliotecas, jamais poderemos nos distanciar da 5ª lei, que já pensava na biblioteca como uma organização em franco desenvolvimento e crescimento, e o Programa deixou uma abertura que o permitiria estar inserido na tecnologia atual. Hoje, algumas dessas bibliotecas estão sendo informatizadas.
Com esse enunciado, Ranganathan lega-nos seu Método Científico que se caracteriza por um movimento sem fim em espiral.
Assim, se a biblioteca é um organismo em constante movimento e desenvolvimento, o Bibliotecário deverá ter bem definido seu papel como educador, mais do que disseminador da informação.
Com minha experiência em diversos locais e trabalhos em bibliotecas, deparei-me com situações que me propiciaram usar e abusar das Cinco Leis da Biblioteconomia.

Muitas vezes criticada, posto que me apartava das regras rígidas da catalogação, não encontrava dificuldades em fornecer informações precisas, quando estas eram buscadas pelos usuários, não me importando quais os recursos que usara para a finalidade a que me propusera – legar informação.

Não me intimidava ao jogar palavras nos programas de computadores, muitas das vezes idealizados por mim, para facilitar o acesso à informação. Algumas dessas iniciativas, custaram-me o posto, porém, não conseguiram extirpar meu senso criativo, o prazer, o gosto e o zelo de tratar o usuário individualmente, ao contrário, fortaleceu ainda mais minha crença no conceito da opção, paixão e convicção. Afastaram-me do cargo, porém, abriram-me novas perspectivas.

Percebo hoje que os profissionais estão mais preocupados com os termos pelos quais deverão ser distinguidos profissionalmente: uns Cientistas da Informação, outros Biblioteconomistas, outros tantos Profissionais da Informação eu, contudo, gosto e faço questão de ser abordada como Bibliotecária e, creio ser o termo mais adequado para individualizar o profissional da área da Biblioteconomia.  

Acima de qualquer denominação, o importante são os valores e o significado que aplicamos a disseminação da informação, tanto quanto o trato e respeito para com a individualização do leitor, pois nosso papel na sociedade tem essa função – social, educacional, disseminadora – uma vez que detemos conhecimento em nossas mãos.

Podemos com ele – o conhecimento – transformar, interagir, trazer à lume aqueles que estavam, por desconhecimento, vivendo no obscurantismo do saber.

Podemos ser partícipes de processos de transformação – conosco detemos o conhecimento e este é moeda corrente.

Podemos caminhar livremente – contar história, fazer história, relatar a história, ser, enfim, a própria história – posto que “os livros nos tornam livres”, segundo o conceito imortalizado por Monteiro Lobato, e nos fazem voar com asas de águia.

Podemos sim – e porque não – sermos Ranganathans do século XXI. Eu o fui e, continuo sendo.


Bibliografia consultada:

ALMEIDA, Inajá Martins de.   Livros.   In: http://www.paralerepensar.com.br/inaja_livros.htm e http:www.amigosdolivro.com.br
_______ .   O ato de ler.  In: http://www.amigosdolivro.com.br
_______ .   O papel da leitura na formação do cidadão.   In: http:www.ofaj.com.br
BÍBLIA SAGRADA.  O Eclesiastes 1:9/11
CAMPOS, Maria Luiza de Almeida.   As cinco leis da biblioteconomia e o exercício profissional.  In:  http://www.conexaorio.com/biti/mluiza/index.htm
SCLIAR, Moacyr.   O poder das letras.  In: TAM MAGAZINE. jul.2006, p.70, com adaptações
SOUZA, MARCOS DE MOURA E.   Mais bibliotecas. Com elas novos leitores.  In: O Estado de São Paulo, 7.12.2003. 

  
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