terça-feira, 1 de maio de 2018

O QUANTO A LEITURA PODE SER NOSSA ALIADA

por Inajá Martins de Almeida


O ano 1997. A cidade Ribeirão Preto / SP. Eu então bibliotecária numa grande universidade. O trabalho ideal. Um sonho de poder estar entre livros sempre, quando de repente um susto - Minha mãe está com câncer. 

Setenta anos de idade. Vigorosa. Amável. Alegre, agora é colocada à prova ante o descompasso das células a guerrearem internamente.   

Visitas a médicos e hospitais tornam-se constantes. Todavia, livros e conversas com professores da área médica são nossos aliados.  

O tratamento árduo. Quimioterapia. Cesiomoldagem (o isolamento, a solidão das quatro paredes frias, os livros, as orações faziam companhia). A operação. A radioterapia, sempre na sequência médica habilmente programada pela equipe do Hospital de Clínicas. 

Em casa e no ambiente de trabalho as informações chegavam através dos livros e dos professores que, ao mesmo tempo em que compartilhavam  o conhecimento, absorviam a experiência vivenciada pela paciente e seus familiares. 

Os livros, portanto, tornaram-se então elementos fundamentais para que todo o processo longo e doloroso fosse abreviado. 

Minha mãe, ávida pela cura, acompanhava os textos, compartilhava com os profissionais e com satisfação ainda comentava, mesmo em meio a tantas dores: 

- “minha filha me traz livros para eu ler e me informar”.   

Os anos puderam ser contados em cinco, até a cura e a alta, mas os livros continuariam a lhe fazer companhia constante. 

Minha mãe jamais deixara de ler, leitora que era dos livros e da vida. - 

Anos após partiria. A idade a todos cobra. Mas, nos momentos derradeiros, a leveza do semblante deixava transparecer as leituras das linhas. Tantas compartilhadas . Tantas deixadas. Minha mãe, elo fundamental. 

Gosto sempre de iniciar meus textos com um pequeno poema, entretanto, este ocupa seus espaços e salta para as linhas: 

Entre livros nasci. 
Entre livros me criei. 
Entre livros me formei. 
Entre livros me tornei. 
Enquanto lia o livro, 
lia-me, a mim, o livro. 
Hoje não há como separar: 
O livro sou eu: 
Bibliotecária por opção, 
paixão 
convicção. 

Assim termino meus apontamentos, pois foram meus pais que me levaram às leituras das letras e da vida. 

Grata portanto a mãe Dalila Salviato de Almeida que me acompanhou através das linhas do tempo e ao pai Nelson Martins de Almeida que me introduziu no universo das linhas. 

Hoje não há como separar

as linhas nas mãos tecidas
às linhas que me teceram. 

as linhas que me tecem
as linhas em que posso tecer

linhas que tecem o tempo
tempo que se transforma em linhas

linhas no tempo tecidas
tecidas ao longo do tempo

linhas que envolvem linhas
tantas linhas a envolver

só para quem encontra nas linhas
sentido para viver

entre as linhas do tempo
linhas levam tempo

tempo leva linhas 
linhas deixam em aberto 

novo tempo
entre linhas ...





sábado, 31 de março de 2018

BIBLIOTECA PADRE EUCLIDES - Ribeirão Preto

História
A 03 de maio de 1903, por iniciativa do Padre Euclides Gomes Carneiro, foi fundada em Ribeirão Preto uma entidade denominada Associação dos Catequistas Voluntários. Em virtude de normas eclesiásticas que regiam os Bispados do Brasil - o termo catequista era exclusivamente reservado para a catequese da igreja –  a 17 de janeiro de 1904 mudou o nome para Sociedade Legião Brasileira. O Estatuto original da entidade, previa “fundar, quando possível, um museu e uma biblioteca”. Foi então criada a Biblioteca Padre Euclides, cujo acervo inicial foi doado pelo próprio padre, constituindo-se hoje em verdadeira relíquia com obras editadas no século XIX e início do XX.
A partir de subscrições e de donativos angariados em quermesses, em março de 1904 a Sociedade Legião Brasileira adquiriu um terreno e começou a construção de uma sede própria, mas só a 03 de maio de 1917 – as obras foram muitas vezes paralisadas por falta de recursos – foi inaugurada a 1ª sede na R. Visconde de Inhaúma esquina com a R. São Sebastião, no Centro. Essa sede foi demolida em 1965 para a construção do Edifício Padre Euclides, prédio com 15 andares que, conforme acordo de cessão de terreno, destinou o 1º e 2º andares para a Biblioteca Padre Euclides / Sociedade Legião Brasileira Civismo e Cultura Ribeirão Preto – SOLEBRARP.

A história da Biblioteca Padre Euclides se confunde com a história da comunidade local e é um capítulo completo na história de Ribeirão Preto. Conserva em seu acervo obras raras, bem como obras que relatam e retratam a história da entidade com a cidade. Por exemplo: foi abrigo e hospital improvisado durante a chuva de pedra que assolou Ribeirão Preto em 1909 e nas revoluções de 1924 e 1930; foi quartel-general de julho a setembro de 1932, durante a Revolução constitucionalista e, ainda em 1932, serviu como sede da única rádio da cidade, a PRA-7.
A entidade vem sobrevivendo com recursos provenientes de contribuições de pessoas da sociedade local e com a renda, insuficiente, conseguida com o aluguel dos conjuntos comerciais no 2º andar do Edifício Padre Euclides onde está instalada. 

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-a-biblioteca-padre-euclides

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captura de fotos e postagem para este blog de Inajá Martins de Almeida - Bibliotecária e Documentalista

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

IMPRESSÕES DE UMA VIAGEM AO SUL - Revista de Araras

Inajá Martins de Almeida - Revista de Araras -1967 


  




É na sexta edição, esta Histórica - separata do Álbum de Araras -  que, vasculhando papéis engavetados, em arquivos guardados, grata surpresa ao ler meu nome estampado em suas páginas. 

O tempo fizera-me esquecer detalhes, em que, em minhas tentativas através do horizonte da escrita, meu pai encontra rascunho de um texto, lançado sobre a mesa de trabalho, e me presenteia com sua editoração. 


Eram os anos de 1967. Eu uma adolescente, estudante e sonhadora com meus 17 anos. 

A partir de então meu nome passaria a figurar no expediente da Revista, entretanto, eu não mais motivara-me às linhas. 

Hoje percebo que os roupantes da juventude, a timidez e a falta de ousadia, que meu pai vislumbrara em mim, fizeram com que eu engavetasse minha criatividade, aquela que aos poucos estou a resgatar. 

Não sei se poderei alcançar o brilho e o vigor de meu pai, mas sei que esta experiência está sendo maravilhosa. Quiçá sirva de exemplo para jovens que se afastam das experiências dos mais experientes, como eu o fizera naquele saudoso tempo.    

Os anos transcorreram e neste momento deparo-me com essas linhas e a emoção leva-me a compartilhar... 


O Historiador Nelson Martins de Almeida, meu pai, transcorridos anos, foi crescendo dentro do meu sentir, ao ponto de deixar a saudade transformar-se em frutífera dinâmica para o trabalho que venho desenvolvendo.

Agradecer é o pouco que posso almejar, ainda que a distância nos separe pelas circunstâncias naturais de nossa existência, mas de onde quer que esteja nossos laços com certeza permanecem eternamente. 


Meu pai... Meu único e verdadeiro Herói.

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ÁLBUM DAS BANDAS NA CÂMARA MUNICIPAL DE ARARAS

ÁLBUM DAS BANDAS DE ARARAS NA BIBLIOTECA DA CÂMARA


A Câmara Municipal de Araras recebeu na tarde da última, terça-feira (12/09/2017), um exemplar do livro ‘Álbuns das Bandas de Araras’, das coautoras, Inajá Martins de Almeida e Matilde Aparecida Salviato Viganó, respectivamente filha e sobrinha do autor e historiador, Nelson Martins de Almeida, que havia deixado o livro praticamente pronto, antes de falecer em 2012.
O livro foi lançado no último dia 26 de agosto na Biblioteca Municipal ‘Martinico Prado’ e contou com a presença de um grande público, vereadores e autoridades. A obra retrata a origem de todas a bandas de Araras e detalha a conquista da Corporação Maestro ‘Francisco Paulo Russo’ do 1º Campeonato Nacional de Bandas, promovido pelo MEC – Ministério de Educação e Cultura e Funarte – Fundação Nacional de Artes – nos estúdios da Rede Globo no Rio de Janeiro, em 1977. Por este feito histórico, a Corporação foi homenageada no dia 20 de julho deste ano em sessão solene promovida pela Câmara Municipal de Araras, a pedido do presidente do Legislativo, o vereador Pedro Eliseu Sobrinho.  
O exemplar foi entregue ao diretor de comunicação, o jornalista Nilsinho Zanchetta e ao historiador e responsável pela biblioteca da Câmara Municipal de Araras, Andrei Campanini. “Receber esta preciosidade das mãos das coautoras é motivo de muito orgulho, é um livro com histórias incríveis, enriquecedoras e que muito valoriza a história da nossa querida cidade de Araras”, declara Zanchetta.
Para o historiador Andrei Campanini, a obra vai enriquecer ainda mais o acervo da biblioteca. “O livro eterniza a história das nossas bandas, valoriza os personagens de nossa cidade e mantém a história viva, com certeza a biblioteca ganha muito com este presentão”, relata Campanini.
As coautoras Inajá e Matilde disseram que estão extremamente felizes com a homenagem e a repercussão do livro. “Gostaríamos muito de agradecer a homenagem feita pela Câmara Municipal a nossa querida Corporação, foi emocionante, ficará eternamente em nossas memórias, quanto ao livro, realmente ficou muito lindo e informativo, valeu a pena todas as pesquisas feitas, as fotos históricas que conseguimos para ilustrar o livro e o mais satisfatório de tudo isso é a aceitação do público, que tem gostado e nos procurado para adquirir os exemplares”, contaram.
Quem quiser adquirir um exemplar do livro ‘Álbum das Bandas de Araras’, basta entrar em contato com as coautoras pelos telefones: 3352-8609 ou 98105-4488. A obra custa R$ 60.00. 

Com informações da Diretoria de Comunicação da CMA

http://www.araras.sp.leg.br/biblioteca-da-camara-municipal-de-araras-e-presenteada-com-o-livro-lbum-das-bandas-de-araras/7205

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Jornal Opinião registrou o momento em sua edição de 14/09/2017, conforme registro para este Blog - capturada foto via facebook


http://jornal.grupoopiniao.com.br/biblioteca-da-camara-e-presenteada-com-o-livro-album-das-bandas-de-araras/

ÁLBUM DAS BANDAS DE ARARAS

Em noite de total envolvimento por parte da comissão organizadora, do público presente e das coautoras o "ÁLBUM DAS BANDAS DE ARARAS", da autoria do Jornalista e Historiador Nelson Martins de Almeida, após longo período de pesquisa e envolvimento histórico sobre as bandas da cidade, é entregue à municipalidade ararense, ao som da Orquestra de Sopros Maestro Francisco Paulo Russo, sob a regência do Maestro Marco Antonio Meliscki.

Neste momento de total envolvimento e comprometimento entre livros, é que, esta que escreve sente o que realmente é estar entre livros numa vida e eles dedicada. Nascer, crescer e continuar a viver entre livros é a significância maior de uma existência. E como registrado na última página do Álbum - "O livro agora sou eu... Bibliotecária por opção, por paixão e por convicção... quiçá doravante também partícipe da criação literária... Sempre uma caixinha de surpresa a ser aberta... As reticências há que falar por si...

http://nelsonmartinsdealmeida.blogspot.com.br/2017/08/documentario-album-das-bandas-de-araras.html _____________________          

Evento foi realizado na noite do último sábado (26.08.2017)






Foi lançado, no último sábado (26), na Biblioteca Municipal Martinico Prado, o documentário Álbum das Bandas de Araras. O documentário escrito por Nelson Martins de Almeida, teve a coautoria de Inajá Martins de Almeida (filha de Nelson) e Matilde Aparecida Salviatto Viganó (sobrinha do autor).




O livro conta a história das bandas ararenses entre 1879 e 2015, com destaque para a conquista nacional no Concursos de Bandas, em 1977. As coautoras, fizeram o trabalho de pesquisa entre 1977 e 2015 e demoraram cinco anos até a conclusão final da obra.





https://www.youtube.com/watch?v=OOwqJyvlVHo&feature=youtu.be

http://reporterbetoribeiro.com.br/documentario-album-das-bandas-de-araras-sp-e-lancado-para-a-populacao/

quinta-feira, 15 de junho de 2017

17ª FEIRA DO LIVRO RIBEIRÃO PRETO 2017

Do conhecimento que liberta ao amor que educa!

Tema da 17ª Feira do Livro de Ribeirão Preto. Homenagem a Professora Maris Ester Souza


MARIS ESTER exemplo de superação através da leitura

Maris afirma que o que move sua profissão é o desejo de despertar nas pessoas o hábito de ler e escrever, que mudou totalmente sua vida. “Estimular pessoas a ler mais é o grande objetivo da minha vida, eu acredito que é por meio da leitura e do estudo que minha vida teve essa transformação”. leia em

Momentos marcantes do antes, durante e depois.
A 17ª Feira do Livro de Ribeirão Preto 2017 será inesquecível em nossas mentes, corações e em nossos registros


Teatro Pedro II - Salão Meira Junior


Maris Ester e Adriana  - Salão de Ideias


"O que tem essa moça, que é diarista, e toca tanto o coração das pessoas..." - Maris pensava e recordava. Inajá anotava... apontamentos estes significativos para um tecer memórias que geravam emoções em corações que pulsavam...


"Pessoas comuns deixam pegadas... Pessoas incomuns deixam Palavras" _ Maris Ester


Palavra chave para Maris Ester - TRANSFORMAÇÃO
semente germinando e
dando frutos
Salão repleto de amigos, cúmplices de um trabalho de anos de dedicação, comprometimento.


Maria Helena entrega a pintura do rosto de Maria Ester, em agradecimento pela amizade compartilhada



  Emociona ao ler palavras de seu Livro



Maria Helena Ramos, Inajá Martins de Almeida e Maris Ester Souza (professora homenageada na 17ª Feira do Livro de Ribeirão Preto - 07/06/2017


A filha emocionada dedica palavras de carinho e agradecimento














Alunos dedicam suas falas, seus corpos, suas músicas àquela que, além de professora, fora a grande responsável pela descoberta de talentos - "você faz a oportunidade; não fique olhando para as dificuldades..." 















Maris Ester - olha além. Despojada. Vive com emoção e emociona com razão...
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Reconhecimento por um trabalho árduo entre letras, imagens, palavras e muito sorriso e carinho - esta é Maris Ester

DIPLOMA DE HONRA AO MÉRITO




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fotos de Elvio Antunes de Arruda
Capturas e postagem de Inajá Martins de Almeida  

segunda-feira, 5 de junho de 2017

MARIS ESTER DE SOUZA - EXEMPLO DE SUPERAÇÃO EM LEITURA

A cada edição, a Feira do Livro de Ribeirão Preto escolhe escritores e nomes da cultura para serem homenageados pela Fundação do Livro e Leitura. E, neste ano, um dos nomes que a fundação elegeu conta uma história de superação e transformação de vida.


Maris Ester de Souza, 52 anos, será a primeira professora homenageada em 17 edições da Feira do Livro, no dia 7 de junho, às 14h, no Auditório Meira Júnior do Theatro Pedro II. Formada pelo Centro Universitário Moura Lacerda aos 41 anos, Maris relata que não foi fácil chegar aonde chegou.
“Estudei até os 14 anos, depois fiquei quase 20 anos sem estudar”, ela conta. Nascida em Ribeirão Preto, frequentou a escola no Sesi da Vila Virgínia. Decidiu voltar a estudar com 31 anos, fazendo supletivo na escola estadual Dom Romeu Alberti, no Jardim José Sampaio Júnior.
Porém, logo depois que saiu da escola, ficou mais quatro anos longe das salas de aula. Foi aí que, na primeira edição da Feira do Livro, sua vida mudou. “Um jovem que conheci na feira me incentivou a voltar aos estudos. Também sofria de depressão na época e meu psicólogo me aconselhou a começar a escrever e comecei a transformar minha vida ali”, explica Maris.
Trabalhando como diarista, tentou retomar os estudos em Batatais mas, não possuindo condições, voltou a Ribeirão. E, graças a uma professora, conseguiu ingressar na universidade em 2006. “Era o último dia para se matricular no Moura Lacerda e a Adria Bezerra, professora amiga minha, pagou do bolso dela, junto com um grupo de amigos, e bancou minha matrícula e os dois primeiros meses de aula” ela conta.
Logo depois, Maris conseguiu um estágio na biblioteca na Avenida da Saudade e, aos poucos, estudava todas as disciplinas conforme podia pagar. Uma colega de trabalho a indicou para participar da Fundação de Amparo ao Preso (Funap), na Penitenciária Feminina do Parque Ribeirão Preto. “Fui selecionada, mas não me chamaram. Foi apenas um ano depois, quando fui doar livros à penitenciária, quando questionei sobre o processo e me disseram que tinha uma vaga disponível”.
Maris passou a trabalhar de manhã na biblioteca e à tarde na penitenciária, para só à noite estudar na universidade. Apesar da intensa rotina, ela não desistiu e sempre contou com o apoio dos amigos. “Eu escolhi ser professora, desde o começo do supletivo eu sabia que era o que eu queria ser, sempre tive muita paixão pela profissão”, ela diz, reforçando que seus amigos faziam questão de ajudá-la no financiamento dos estudos e que, no final do curso, já possuía seu próprio talão de cheque.
Hoje, Maris Ester dá aula na Escola Estadual Jardim Orestes Lopes de Camargo, Zona Norte da cidade, desde fevereiro deste ano, com seu projeto "Sala de Leitura Monteiro Lobato". Ao longo dos anos, tem colecionado vários projetos visando introduzir seus alunos à cultura. Além de ser presidente da Casa do Poeta e Escritor de Ribeirão Preto, é membro da Academia de Letras do Brasil (ALB) de Araraquara e coordenadora do projeto “A Cultura Como Herança” desde 2014, que leva jovens ao teatro e a um maior contato com a arte, a cultura e a literatura.
“Estar hoje levando alunos a atividades culturais é uma grande paixão minha, dar essa oportunidade a eles, observar um aluno entrando em um teatro pela primeira vez não tem preço”, ela completa. Maris também idealizou o projeto pioneiro “Sala de Leitura Fátima Chaguri”, na escola estadual Jardim Diva Tarlá de Carvalho, que se tornou um exemplo em prol da leitura. Também venceu o primeiro Concurso Nacional de Projetos Escolares de Incentivo à Leitura Electro Bonini da Unaerp, em 2011, pelo projeto “Cartas Para Um Escritor”.
Autora do livro “Nua Para o Criador...Vestida Para a Humanidade”,  lançado em 2001 pela editora Paulista, Maris diz que sua obra abriu inúmeras portas a sua vida profissional. “Nunca imaginei que o livro fosse parar em uma escola, o lançamento teve 400 pessoas presentes e ganhei até patrocínio. Inclusive estão me pedindo para editá-lo e lançar uma nova edição”, ela conta, extasiada.
Maris afirma que o que move sua profissão é o desejo de despertar nas pessoas o hábito de ler e escrever, que mudou totalmente sua vida. “Estimular pessoas a ler mais é o grande objetivo da minha vida, eu acredito que é por meio da leitura e do estudo que minha vida teve essa transformação”.
A professora e escritora já atuou como mediadora e madrinha de escritores em diferentes edições da Feira do Livro. Só que dessa vez, com sua homenagem, ela revela que o sentimento é outro. “Fiquei muito emocionada, foi uma surpresa. Ser a primeira professora a ser homenageada pelo evento é uma grande hora, me senti realizada e muito agradecida, sempre lutei pela Feira do Livro, desde a primeira edição”.
Maris Ester ainda reitera que ser professora é educar a todo momento. “Como educadora você enxerga o ser humano de uma maneira diferente, como ele tem um grande potencial, e às vezes ele nem sabe disso. Acredito que no meu trabalho eu consigo passar isso aos meus alunos e que sou professora praticamente 24 horas por dia”, ela conclui.
fonte: https://www.revide.com.br/noticias/cultura/ex-diarista-que-se-tornou-professora-e-homenageada-na-feira-do-livro/
consulta em 05/06/2017
foto trabalhada e postagem por Inajá Martins de Almeida

sábado, 5 de novembro de 2016

O LIVRO NÃO NASCE LIVRO, TORNA-SE LIVRO

O texto em questão me fez retornar às minhas aulas da Escola de Biblioteconomia em São Carlos, no início da década de 1970.   Estudávamos as cinco leis da biblioteconomia e elas me são familiares ao ponto de colocá-las em prática, primeiro em minha vida, mesmo antes da formação, depois na prática bibliotecária. 

Quanto a frase realmente o livro é um objeto qualquer em qualquer lugar. Entretanto, torna-se livro a partir do momento em que o possuamos, o entendamos, o estudamos, o trazemos para junto de nós. Livros que podem nos livrar da solidão, da ignorância - livros que nos tornam livros.

Assim é que amei o texto e o compartilho neste espaço.

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O título deste post é uma paráfrase da frase de Simone de Beauvoir que tornou-se popular no ano passado por ter sido objeto de uma questão do ENEM. A inspiração para o texto, no entanto, veio do artigo “The Philosophy of Language and Knowledge Organization in the 1930s: Pragmatics of Wittgenstein and Ranganathan”, de Gustavo Silva Saldanha, pesquisador do IBICT e professor da UNIRIO.

Especialmente o tópico “5.0 The books are not for use; the books are the use itself: Ranganathan and Wittgenstein, language
and knowledge in 1930s” chamou a atenção pelo fato de levantar um conceito interessante relacionado com a Segunda Lei de Ranganathan, que até então desconhecia: digvijaya. A Segunda Lei, “Para cada leitor seu livro” (ou qualquer outra variação similar que seja detectada em outros escritos), é apresentada por Ranganathan como uma espécie de advocacy proposta nos dias atuais. Ela também traz consigo a noção de uso. Sob o ponto de vista do bibliotecário indiano, essa noção está fortemente relacionada à Primeira Lei “Os livros são escritos para serem lidos”, pois considera que o conteúdo de um livro só pode ser explorado e seus significados são elaborados a partir do momento em que é usado.
Por isso, essa ideia do Ranganathan inspirou o título deste pequeno texto. É interessante pensar em dois aspectos:
1) a defesa pelas bibliotecas é muito mais antiga do que supõe o conceito de advocacy. Já vem desde os tempos de Ranganathan que revolucionou o pensamento biblioteconômico ao propor suas cinco leis:
  1. Os livros são escritos para serem lidos
  2. Todo leitor tem seu livro
  3. Todo livro tem seu leitor
  4. Poupe o tempo do leitor
  5. Uma biblioteca é um organismo em crescimento
2) o encontro da informação com seu leitor realmente é interessante, pois é quando há um (re)processamento, uma (re)significação do conteúdo pelo leitor, de forma que novas informações sejam criadas a partir das experiências prévias do leitor, alimentando, assim, o ciclo da informação.

REFERÊNCIAS
SALDANHA, G. S. The Philosophy of Language and Knowledge Organization in the 1930s: Pragmatics of Wittgenstein and Ranganathan. Knowledge Organization, v. 41, n. 4, p. 296-303, 2014.
RANGANATHAN, S. R. As Cinco leis da Biblioteconomia. Brasília: Briquet de Lemos, 2009.

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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

EDITORAÇÃO CIENTÍFICA E O BIBLIOTECÁRIO

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Bibliotecário profissão que:

não tem passado, 
não tem presente, 
não tem futuro...

Bibliotecário profissão que apenas:

é o passado, 
é o presente, 
é o futuro...


Inajá Martins de Almeida

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O universo do Bibliotecário não se esgota. Vai além das bibliotecas, da organização, seleção de títulos.

Inspirador o texto



A editoração científica configura-se como um conjunto de processos e atividades multidisciplinares no âmbito da comunicação científica, em que profissionais de diferentes áreas estão envolvidos, entre eles, o bibliotecário.
Inicialmente, ao pensarmos na atuação do bibliotecário em equipes editoriais, a normalização de documentos é, dentre as atividades possíveis, a mais comumente relacionada à figura do bibliotecário. No entanto, com as profundas alterações ocorridas no campo editorial nas últimas décadas, sobretudo, promovidas pelas novas tecnologias,
ampliaram-se a inserção e escopo de atuação do bibliotecário, dada sua formação diversificada e multifacetada. continue ... http://portaldobibliotecario.com/2016/10/03/atuacao-do-bibliotecario-na-editoracao-cientifica/




sexta-feira, 28 de agosto de 2015

BIBLIOTECÁRIO HÁ QUE SER UM INTELECTUAL...

“Defendo que todo bibliotecário é, fundamentalmente, um intelectual, 
ou seja, como disse Foucault, um sujeito que tem por papel 
‘mudar algo no espírito das pessoas’. 
Um bibliotecário letárgico é, portanto, um engodo, 
um desserviço à sociedade”, afirma Santos.

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Barrado na escola por uniforme velho, vendedor de cocadas faz 5 faculdades

Ele era criticado por não ter mochila, usar tênis gasto e ser filho de pedreiro.
Hoje bibliotecário da Câmara, homem tem livro indicado ao
Prêmio Jabuti.


Raquel MoraisDo G1 DF

O brasiliense Cristian Santos não tem dúvidas de que a paixão pela leitura o permitiu mudar de vida. Vendedor de cocadas na infância e na adolescência para ajudar os pais, ele chegou a ser impedido de assistir aulas em uma escola pública por não ter condições de comprar um uniforme novo. O jovem se refugiava das críticas dos colegas na biblioteca, onde encontrou livros que o ajudaram a ingressar na universidade e conquistar cinco graduações.


Aos 19 anos, o garoto conseguiu estágio e passou a ganhar R$ 250 por mês. O dinheiro foi usado em um cursinho preparatório para o cargo de técnico judiciário. Aprovado, ele deixou de vender cocadas e passou a sustentar os pais e as cinco irmãs.

Outras formações e prêmios

Após concluir biblioteconomia, Santos foi aprovado em primeiro lugar no concurso do Superior Tribunal de Justiça para o cargo de bibliotecário. Na mesma época ele passou a apresentar, na condição de bolsista, trabalhos científicos na Argentina, Finlândia, Noruega e Estônia. 

“Numa tarde chuvosa, fui a uma daquelas lojas de R$ 1,99 a pedido de minha mãe. Encontrei numa estante de canto 'A morte de Ivan Ilitsch'. Voltei para casa sem o escorredor de macarrão, mas na companhia de Tolstoi. A novela me feriu, e minha paixão pela literatura alcançou um nível alarmante. Acabei me graduando em língua e literatura francesas e depois em tradução. Nesse período, estudei por três meses na Universidade Laval, Canadá, graças à hospedagem gratuita de uma família católica”, diz.

O homem fez ainda filosofia e teologia, além de mestrado em ciência da informação – a dissertação foi premiada em um concurso na Argentina. Ele chegou a ser admitido para o curso anual da Scuola Vaticana di Paleografia, mas não pôde fazer porque não foi liberado pela direção do STJ.

Depois, o ex-vendedor de cocadas fez doutorado em literatura e práticas sociais. Os estudos o levaram a se aprofundar na obra de Michel Foucault e o estimularam a se preocupar em ser mais humanista e culto.

“Defendo que todo bibliotecário é, fundamentalmente, um intelectual, ou seja, como disse Foucault, um sujeito que tem por papel ‘mudar algo no espírito das pessoas’. Um bibliotecário letárgico é, portanto, um engodo, um desserviço à sociedade”, afirma Santos.

A tese dele virou livro e aborda a representação de padres e beatas na literatura. “Na obra, discuto as razões pelas quais a literatura do país representa os personagens religiosos de forma caricata, sempre associados ao atraso moral e econômico. ‘Devotos e Devassos’ acaba de ser indicado para o Prêmio Jabuti em duas categorias: melhor crítica literária e melhor capa.” leia a matéria em sua íntegra



terça-feira, 14 de abril de 2015

BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

Interessante artigo compartilhado neste blog. 


Define-se Biblioteconomia, no seu sentido restrito, como a área que realiza a organização, gestão e disponibilização de acervos de bibliotecas, e a Bibliografia como a atividade de geração de produtos que indicam os conteúdos dos documentos, independente dos espaços institucionais em que estes se encontrem.



A Ciência da Informação tem suas raízes na bifurcação da Documentação/Bibliografia e da Recuperação da Informação (Information Retrieval). É uma ciência social cujo objeto é a informação, tendo início no campo da informação científica e tecnológica, passando a atuar também com a informação para fins educacionais, sociais e culturais. Apresenta interfaces com a Biblioteconomia, Ciência da Computação, Ciência Cognitiva, Sociologia da Ciência e Comunicação, entre outras áreas.
Outras abordagens sobre a constituição da Ciência da Informação incluem ainda áreas do conhecimento como a Administração, que busca fornecer formas otimizadas para a operação do fluxo da informação registrada, e a Editoração, na produção de documentos impressos e eletrônicos. Também podem ser citadas a Lingüística, Lógica, Psicologia, Estatística e Economia.
Considera-se que a Biblioteconomia deu origem à Bibliografia, que fundamentou a Documentação, que por sua vez, forneceu insumos à constituição da Ciência da Informação, também nomeada Informatologia. A Ciência da Informação é entendida como a preocupação com a unidade fundamental do saber, através de estudos interdisciplinares e de métodos como o estrutural. Engloba o conjunto das disciplinas voltadas para a produção, comunicação e consumo da informação que, chamadas por isso de ciências da informação, passaram a ser consideradas como uma só ciência da informação.
Dentre as abordagens mais consistentes sobre Ciência da Informação está a de Saracevic. Teórico de produção relevante no campo da Comunicação, considera o objeto da Ciência da Informação como o comportamento, as propriedades e os efeitos da informação em todas as suas facetas, tanto quanto os vários processos da comunicação que afetam e são afetados pelo homem. A Ciência da Informação estuda: (1) a dinâmica e a estática do conhecimento, ou seja, suas fontes, organização, criação, dispersão, distribuição, utilização, expressão bibliográfica e obsolescência; (2) os aspectos comunicacionais relacionados ao homem enquanto produtor e usuário de informação; (3) os problemas da representação simbólica da informação como na classificação e indexação; e, por extensão, (4) o funcionamento de sistemas de informação como as bibliotecas e os serviços de armazenagem, recuperação e processamento de dados (Saracevic citado por Enciclopédia Mirador Internacional, 1994, p. 6115).
Conclui-se que a Biblioteconomia, a Documentação e a Ciência da Informação são áreas que se relacionam conceitual e historicamente.
A Biblioteconomia tem origem efetiva na atividade de preservação das unidades do conhecimento registrado, alterando-se com o tempo por meio da democratização do acesso à educação e à cultura em atividade de gestão de serviços de biblioteca, porém sem constituir área cientificamente fundamentada no seu todo. É marcada pela intensa disseminação de seus equipamentos físicos, as bibliotecas, muitas das quais estabeleceram redes cooperativas de catalogação, cujos laços são essencialmente produtivos e formais, mas não estabelecidos com base na informação e seu contexto de produção e uso.
A Documentação, uma dissidência da anterior mas também componente dela, caracteriza-se pelo tratamento do conteúdo dos documentos, pela diversidade dos tipos de registros de informação com que trabalha e pelo uso otimizado das inovações tecnológicas em seus processos. Mesmo que críticas possam ser feitas, por exemplo, à limitada perspectiva comunicacional efetivada pelos antigos centros de documentação, seus preceitos baseiam-se na contextualização institucional e de público como critérios para a definição dos processos e serviços. Desenvolveu técnicas mais amplamente aplicáveis e atingiu significativo grau de sistematização de seus princípios e modelos. Deu insumo à Ciência da Informação que, entendida como ciência pós-moderna, portanto interdisciplinar e sem vinculação a paradigma único, reflete a mudança instaurada no século XX pela comunicação, pela tecnologia eletrônica e pelos fluxos de informação.
Finalmente, sendo a Biblioteconomia, a atividade mais antiga de organização de documentos, encontra na Ciência da Informação a possibilidade de construção de referenciais teóricos e de conquista de status científico, enquanto esta encontra naquela parte da história e das práticas que compõem aquilo que vem elaborando a partir de diversas disciplinas e aplicações. Já a Documentação, considerada em separado da Biblioteconomia, desenvolveu princípios e técnicas voltadas à organização e recuperação da informação, independente dos suportes e tipos documentais e com base nos contextos de aplicação e tipos de informação. Neste sentido, os princípios documentários permitem à Biblioteconomia maior abstração e adequação na elaboração de seus processos e serviços, e fornecem à Ciência da Informação insumos para uma construção científica sólida, ao conduzir a um foco ou núcleo de referência para a alocação integrada das demais disciplinas e aplicações.
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